Confissionarium
Meu corpo tece e confessa poemas...
sábado, 12 de janeiro de 2019
Realize (um texto de alguns anos atrás)
Realize
Há tantas coisas que gostaríamos de ter feito enquanto jovens, mas vamos deixando de lado, ou empurrando para frente, imaginando que temos todo o tempo do mundo para aproveitar as oportunidades. Quando chegamos a uma certa idade gostaríamos de ter a experiência desse momento, exatamente quando éramos jovens para aproveitar essa sabedoria e poder usufruir dela com mais prazer. A vida é assim mesmo, não podemos inverter a ordem dos fatores. Não porque a vida é curta (ela é a medida certa que precisa ter), mas porque é melhor viver os sonhos, sentir o prazer de poder realizar os anseios que nos agitam e impulsionam o levantar pela manhã. Por isso eu preciso dizer e, principalmente aos mais jovens que aproveitem com sabedoria as chances que a vida proporciona. Estude (isso é o que te leva a construir o futuro). Aproveite a vida com quem ama. Case com quem ama. Sonhe e realize. Transforme ideias em soluções concretas. Monte sua banda. Vá para outro país, para outro lugar muito diferente de onde vive. Dance. Vá aos shows dos seus cantores preferidos. Compre sua casa. Plante aquela árvore frutífera que você tanto gosta. Plante flores. Se tudo não der certo e a idade já estiver chegando e você continua sonhando, não desista. Sempre tem um cantinho em que se pode enfeitar com carinho para estar no final de um dia de trabalho e poder sentar com a consciência tranquila e dizer: eu tentei.
Marisete Zanon
Fotografia do Google
domingo, 13 de maio de 2018
Imaculada
esvoaçante, apenas esvoaçante
voa...
mas não sai do lugar
balança, enverga
mas não desmancha
sua cor yellow
que belo!
tão pura
só o vento
lhe toca
imaculada
amarelada...
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Uma gota
meu coração é uma gota d'água
iluminada por um sol que brilha
dentro dele quase tudo. Nada.
respinga tanto que até sibila
Marisete Zanon - Todos os direitos reservados.
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Personagens poéticas
me entrego demais, amo demais,
sinto demais, possuo demais,
mas também odeio demais,
confesso demais
essa entrega sem censura,
porque não há censura
na intimidade com as palavras
me deixa exposta,
uma ferida aberta
pago um preço alto
por cada palavra escrita.
essa minha psicopatia
e as personagens que me compõem
e as dualidades que carrego
com dores consecutivas de parto
e dores de eventuais abortos
tem cenas de Rimbaud
e Gabriel G. Marquez
me sinto um ser acabrunhado
nesse mundo.
não me importo,
não vivo nesse mundo,
porque deixo que a poesia
me leve daqui e me invente.
Marisete Zanon - In Confissionarium Book - Todos os direitos reservados a autora
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Na hora certa
Fotografia - marisete Zanon
Não me prenda em lugar algum, me deixe livre
preciso de espaço para ser.
Não brigue comigo pelos meus erros, me ensine,
preciso aprender.
Não me diga não chore, você não sabe o que
acontece com uma lágrima aprisionada aqui dentro.
Não me mostre o que é ruim ou bom,
preciso experimentar por mim mesmo para escolher.
Não me diga que é feio ser triste,
cada um sente como pode.
Não me diga que o tempo é curto,
meu rosto me mostra com pequenos detalhes.
Não me diga que o amor é lindo e nos dá felicidade,
eu experimentei muitas vezes e sei que dói.
Não complique o que falo,
apenas ouça com simplicidade.
Não coloque placas em meu caminho,
ele não é igual ao seu, as pedras não estão no mesmo lugar.
Preciso ser livre, mais livre que um voo de pássaro,
porque o dia que eu me for, preciso ir sem medo,
preciso ir leve, consciente de mim.
Não sei se a gente leva as lembranças,
se levar, quero apenas os sorrisos, os dias de sol,
e dias felizes de chuva também.
Espero que não esqueçam o modo
que escolhi para dizer adeus:
cinzas ao vento.
Marisete Zanon - In Confissionarium Book
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Não mais...
arte Natalia Nakada
e então, quando teu desejo,
procurar pelo meu corpo...
já não estarei mais...
como a brisa que sopra
em tuas lembranças
serei...
um anjo?
um demônio mascarado?
Marisete Zanon
In Book - Um cordão de confissões
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Intimidade
Onde fica sua intimidade? Na sua mente? No seu coração? Onde
pulsa as suas emoções? Onde permanece os seus sentimentos?
A minha intimidade fica onde eu possa me encontrar comigo
mesmo e me sentir, e estar viva e viver com as emoções pulsando onde habita o amor.
M.Z.
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Quiçá
tenho tentado remover
a poeira dos escombros
dessas lembranças que deixam
mais marcas que um soco
o poema sai gótico, choroso
a luz é forte, mas não absorvo
o suficiente para uma lâmpada
e vou enterrando os pés na poeira
até que venha a chuva e lave
o meu corpo, a minha alma
e me dilua com as marés
quiçá ter nascido peixe
teria sorte diferente...
Marisete Zanon
Overdose de mim
o colorido dos meus olhos mente
minha voz mente
nessa dolorosa trajetória consciente
de drogas e vícios delirantes
as vozes em minha cabeça rondam
as melhores lembranças
arranco páginas inteiras
de muitas vidas inventadas
que vi através dos meus olhos
sangue, poemas e vinho ruim
diz-me agora: sai desse buraco!
mas me sinto apenas no raso do ralo...
Marisete Zanon - In Confissionarium Book
terça-feira, 7 de março de 2017
Dilemas
imagem do google
costurava na própria pele
os seus dilemas
com sutis lembranças
bordadas com lantejoulas escarlates
as agulhadas dos dissabores
penetrava em cada ponto
em trechos solitários
o capricho só não era maior
porque a vida também tem bons momentos
Marisete Zanon - In Confissionarium Book - Livro I
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