tenho tentado remover
a poeira dos escombros
dessas lembranças que deixam
mais marcas que um soco
o poema sai gótico, choroso
a luz é forte, mas não absorvo
o suficiente para uma lâmpada
e vou enterrando os pés na poeira
até que venha a chuva e lave
o meu corpo, a minha alma
e me dilua com as marés
quiçá ter nascido peixe
teria sorte diferente...
Marisete Zanon









