quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Do amor e seus vazios...




Obra do artista plástico Ricardo Passos - Lisboa - Portugal


Descrevi o amor em vários aspectos,
vivi o amor de várias maneiras,
experimentei o amor de muitas formas,
mas a vida, essa minha vida de hoje 
não me mostra nada diferente.
Vejo o amor como uma luz através
da neblina.
 Cansei de amar sozinha.
de servir a taça, dividir a cama,
de encher o outro e ficar vazia.
De aquecer e ficar fria.
Estou esquecendo o verbo amor,
o ato amar. 
Se faz presente
outras necessidades mais prementes.
Esse amor egoísta que é Eros, 
que serve para amar apenas um,
não está mais cabendo em mim.
Essa busca de amar e ser amado
é como um bote sem remos contra a maré,
em mim naufraga essa possibilidade
e nem adianta as lágrimas tentarem me afogar
não vou morrer por essa necessidade.
Coube ao destino que eu amasse sozinha,
mas tudo na vida tem um fim. A tristeza,
a alegria, a paixão, a dor, a luz, a escuridão,
a raiva, a noite e o dia...
O que é o amor mesmo?


Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Pensamento

Fotografia - Marisete Zanon


é quando a madrugada vem

que tu chegas colhendo perfumes

de outras brisas em outras paragens

lembranças sutis encantando

com laços o meu presente.

Sem ti não renasço,

não atuam as cenas que vivem

guardadas na memória quase dispersa.

É como o mar que joga suas reminiscências

de volta a areia da praia

envolvendo os finos grãos de absoluta certeza

que o pensar me faz existir a cada segundo

dessa vida de quem acumula lembrança.


Marisete Zanon - In Confissionarium Book - Todos os direitos reservados a autora


sábado, 15 de outubro de 2016

meu mundo quântico



me lanço na oportunidade que o tempo

me empresta

atiro no vácuo da imaginação

uma folha de papel escrito

poderia ser um teclado,

mas escolho ser (arcaica?)

por enquanto nada ultrapassaria a velocidade da luz

assim o tempo não faria uma dobra

e as horas continuariam seu curso em linha reta

absolutamente normal, abstrata e bela

esse universo quase malha que me inspira

sentir como poeta

e perceber que meu corpo tem infinitos átomos

como estrelas no céu

me seduz  com seus vastos mistérios

sem saber se um dia saberei decifrá-lo


Marisete Zanon – In Confissionarium Book  

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Interceda por mim


Fotografia - Marisete Zanon

aquela gota que não caiu
foi como um espinho que feriu
transpassou os limites da dor
explodiu em um vácuo de rancor
minha cara... cara calma
não é reflexo da alma
o olhar parece tranquilo
mas o espírito jaz inquilino
de uma escuridão
no meio da vil multidão


Marisete Zanon - todos os direitos reservados a autora

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Overdose de mim

                                                                  imagem - Marisete Zanon


o colorido dos meus olhos mente
minha voz mente
nessa dolorosa trajetória consciente
de drogas e vícios delirantes
as vozes em minha cabeça rondam
as melhores lembranças
arranco páginas inteiras
de muitas vidas inventadas
que vi através dos meus olhos
sangue, poemas e vinho ruim
diz-me agora: sai desse buraco
mas me sinto apenas no raso do ralo

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Corpo de palavras

                                                              fotografia - Marisete zanon

te desvendar

palavra nua...

do teu corpo...

do teu texto

só verbos suados...



Marisete Zanon - todos os direitos reservados a autora.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

"Inerteço"





para mim

esse alerta

que me desprende

da minha realidade

me desperta

me descola do chão

me faz escorrer nas paredes

e me atira

no conforto

[confronto

raiz

e

asas

tento acostumar no macio

no olhar bondoso das asas

"inerteço"!

[ sou silêncio

terço nas mãos das virgens

servidão

raízes...

sou árvore.



Marisete Zanon - Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Estranho

                                            Imagem do Google

há um estranho que habita entre mim e esses muros
que percorre meu mundo em pequenos silêncios
e arranca de mim suspiros de esperança
dorme comigo e acorda em êxtase
balança no tempo paradoxal do meu universo
feito menino brincando a provocar-me.
nos miúdos momentos de sua ausência
antes mesmo de uma lágrima desmanchar
já está de volta sorrindo e sereno
chamando-me pra me amar
e nos intervalos do amor
entende ainda mais de amor
faz-me gemer ânsias e desejos acumulados
compreende minhas angústias e espera minhas esperanças
mais do que eu comigo
estranho que não estranho conhecer
que preencheu espaços vazios e fundos
com seu mais profundo prazer
estranho que agora disse
és mais íntimo que se possa parecer

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Outros sonhos


todas as manhãs abria os olhos

fixava-os no teto do quarto

e fazia a mesma pergunta

e agora?

continuar o sonho da noite

sonhar delicadezas e fadas

pairar sobre a casa

sem dores

perambular favores

sem mendigar

sentar-se à mesa e

provar sabores de paz

dizer sorrisos reais

e aprender a acordar

de um sonho dentro do outro...


Marisete Zanon  

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Acabamentos


preciso aprender a deixar o tempo fluir a sua maneira

deixar que minha pele macia se desdobre em sulcos

e que pessoas que não fiquem que eu entenda com sabedoria

preciso aprender a guardar os sorrisos

e deixar as lágrimas salgadas para as horas erradas

entender que o oceano pode me levar a vários rumos

se eu deixar o barco à deriva

que o tempo é um carrasco complacente

e amá-lo assim mesmo

que relativo nunca será absoluto

que a permanência não é eterna

e solidão não é tristeza

É a chave-mestra que impulsiona a consciência

que ser feliz é uma reação a um fato

e depende de mim aceitá-lo com gratidão


Marisete Zanon