segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Corpo de palavras

                                                              fotografia - Marisete zanon

te desvendar

palavra nua...

do teu corpo...

do teu texto

só verbos suados...



Marisete Zanon - todos os direitos reservados a autora.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

"Inerteço"





para mim

esse alerta

que me desprende

da minha realidade

me desperta

me descola do chão

me faz escorrer nas paredes

e me atira

no conforto

[confronto

raiz

e

asas

tento acostumar no macio

no olhar bondoso das asas

"inerteço"!

[ sou silêncio

terço nas mãos das virgens

servidão

raízes...

sou árvore.



Marisete Zanon - Todos os direitos reservados.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Estranho

                                            Imagem do Google

há um estranho que habita entre mim e esses muros
que percorre meu mundo em pequenos silêncios
e arranca de mim suspiros de esperança
dorme comigo e acorda em êxtase
balança no tempo paradoxal do meu universo
feito menino brincando a provocar-me.
nos miúdos momentos de sua ausência
antes mesmo de uma lágrima desmanchar
já está de volta sorrindo e sereno
chamando-me pra me amar
e nos intervalos do amor
entende ainda mais de amor
faz-me gemer ânsias e desejos acumulados
compreende minhas angústias e espera minhas esperanças
mais do que eu comigo
estranho que não estranho conhecer
que preencheu espaços vazios e fundos
com seu mais profundo prazer
estranho que agora disse
és mais íntimo que se possa parecer

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Outros sonhos


todas as manhãs abria os olhos

fixava-os no teto do quarto

e fazia a mesma pergunta

e agora?

continuar o sonho da noite

sonhar delicadezas e fadas

pairar sobre a casa

sem dores

perambular favores

sem mendigar

sentar-se à mesa e

provar sabores de paz

dizer sorrisos reais

e aprender a acordar

de um sonho dentro do outro...


Marisete Zanon  

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Acabamentos


preciso aprender a deixar o tempo fluir a sua maneira

deixar que minha pele macia se desdobre em sulcos

e que pessoas que não fiquem que eu entenda com sabedoria

preciso aprender a guardar os sorrisos

e deixar as lágrimas salgadas para as horas erradas

entender que o oceano pode me levar a vários rumos

se eu deixar o barco à deriva

que o tempo é um carrasco complacente

e amá-lo assim mesmo

que relativo nunca será absoluto

que a permanência não é eterna

e solidão não é tristeza

É a chave-mestra que impulsiona a consciência

que ser feliz é uma reação a um fato

e depende de mim aceitá-lo com gratidão


Marisete Zanon   

terça-feira, 24 de maio de 2016

Instinto oral

                                                             imagem do Google

Ah, esse frio, quase dor
na boca do estômago
quando penso na tua boca
que me engole sem pudor
como um garfo que lá dentro
se perde e toca
na tua língua quente
e sente o sabor
do alimento
Ah! Eu que falei nunca mais
mas a tua boca me atrai
me trai e corrompe
minha decisão
E eu danço
danço com ela
e na tua mão
Ah! Não queria voltar atrás
mas eu sempre caio na tua
na tua boca
que me provoca
e me deixa nua
pra no outro dia
estar de novo na rua
sem me arrepender
mais uma vez
na tua boca fui tua.


Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora. No livro In Confissionarium III.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Poema tardio

                                                            Foto montagem

tem tempo pra tudo nessa vida
mas paixão a essa altura
não estava nos meus planos
mesmo seus olhos sendo verdes
e  seres alguém tão vistoso
e especial
                   [não perfeito.
mas seria o meu número exato
não estava nos meus planos
alguém por favor,  me acorda
e acende a luz!
ou não acenda...
deixe-me continuar sonhando
com teu braço em volta de mim
e a mão segurando meu rosto
enquanto nos beijamos
beijos de línguas sedentas
Tão demorados que salivam...
dentro do sonho eu sonho
acordar todas as manhãs nos teus braços
sorrir-te e servir-te um banquete
coxas, nádegas, vulva e seios
minha boca é o teu guardanapo amor
servir-te-ei orgasmos com luxúria
e entre rios e vertentes
beberemos cálices de prazer
abrirei as janelas do quarto
para que o sol nos sorria
e sua luz ilumine nosso leito
brincaremos feito crianças
trocaremos sorrisos de felicidade
e  adormeceremos outra vez
para que eu possa acordar
e descobrir que amo sozinha...


Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Feedback

                                                                            Fotografia - Marisete Zanon

Deixei que tudo se perdesse
na minha memória confusa
perdão, eu disse que guardaria tudo,
a tua voz, tua imagem,
mas baby...pense bem...
a razão às vezes me bloqueia
não me deixa ir além
além daquilo que a circunstância
permita e somos apenas
objetos da função hormonal
de corpos que se perdem
um do outro nesse consumo
de interesses de marketing
de peles, ossos e órgãos
me perdoe se agora
teu rosto não passa de uma
imagem embaçada, distorcida
e nossos movimentos sem play
e a frieza com que agimos depois
não é um blefe
é um déjà vu
eu sei que prometi lembrar,
mas a minha memória me traiu
e só me lembro do frio
esse frio que corta
e congela a alma


Marisete Zanon     - In Confissionarium Book III 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Moinhos invisíveis



pra onde leva esse caminho?
que na hora da canção não tenho par?
será que sempre perco o trem na estação?
tratei de dar adeus às indiferenças
pensei que as bandas estariam caladas
nessa imensidão verde de musgos
minha vida é tão confusa
deixe-me estar na estrada
onde as rodas giram com meus pensamentos acelerados
por músicas e doses de tequila
onde está a lógica desse tempo
que só me deixa pra trás?
como eu queria vagar por aí como um vaga-lume
responsabilidades inúteis não combinam comigo
e tudo o que quero agora
é só olhar pro meu umbigo
chega de repetir o que digo
todo mundo uma hora vai embora.

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Cara a tapa








Que culpa tenho por amar demais?
Sou libertina, promíscua?
Mostro as minhas ligas
e dou a minha língua
a quem desejar
basta apenas me entender
mas se pensas que me entender é fácil
então não sou assim promíscua
podia ser uma boa bisca
entretanto para amar
tem que saber se rasgar
umedecer a calcinha
dar a cara a tapa
e abrir as pernas com classe
mas com classe de puta de carteirinha
tem que gozar e fazer gozar
tem que rezar e deixar sangrar,
acreditar e confessar todos os medos
todos pesadelos sem se importar
e depois de tudo isso
erguer em riste o dedo
ainda saber dizer
eu te amo.


Marisete Zanon - In Confissionarium Book II