terça-feira, 24 de maio de 2016

Instinto oral

                                                             imagem do Google

Ah, esse frio, quase dor
na boca do estômago
quando penso na tua boca
que me engole sem pudor
como um garfo que lá dentro
se perde e toca
na tua língua quente
e sente o sabor
do alimento
Ah! Eu que falei nunca mais
mas a tua boca me atrai
me trai e corrompe
minha decisão
E eu danço
danço com ela
e na tua mão
Ah! Não queria voltar atrás
mas eu sempre caio na tua
na tua boca
que me provoca
e me deixa nua
pra no outro dia
estar de novo na rua
sem me arrepender
mais uma vez
na tua boca fui tua.


Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora. No livro In Confissionarium III.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Poema tardio

                                                            Foto montagem

tem tempo pra tudo nessa vida
mas paixão a essa altura
não estava nos meus planos
mesmo seus olhos sendo verdes
e  seres alguém tão vistoso
e especial
                   [não perfeito.
mas seria o meu número exato
não estava nos meus planos
alguém por favor,  me acorda
e acende a luz!
ou não acenda...
deixe-me continuar sonhando
com teu braço em volta de mim
e a mão segurando meu rosto
enquanto nos beijamos
beijos de línguas sedentas
Tão demorados que salivam...
dentro do sonho eu sonho
acordar todas as manhãs nos teus braços
sorrir-te e servir-te um banquete
coxas, nádegas, vulva e seios
minha boca é o teu guardanapo amor
servir-te-ei orgasmos com luxúria
e entre rios e vertentes
beberemos cálices de prazer
abrirei as janelas do quarto
para que o sol nos sorria
e sua luz ilumine nosso leito
brincaremos feito crianças
trocaremos sorrisos de felicidade
e  adormeceremos outra vez
para que eu possa acordar
e descobrir que amo sozinha...


Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Feedback

                                                                            Fotografia - Marisete Zanon

Deixei que tudo se perdesse
na minha memória confusa
perdão, eu disse que guardaria tudo,
a tua voz, tua imagem,
mas baby...pense bem...
a razão às vezes me bloqueia
não me deixa ir além
além daquilo que a circunstância
permita e somos apenas
objetos da função hormonal
de corpos que se perdem
um do outro nesse consumo
de interesses de marketing
de peles, ossos e órgãos
me perdoe se agora
teu rosto não passa de uma
imagem embaçada, distorcida
e nossos movimentos sem play
e a frieza com que agimos depois
não é um blefe
é um déjà vu
eu sei que prometi lembrar,
mas a minha memória me traiu
e só me lembro do frio
esse frio que corta
e congela a alma


Marisete Zanon     - In Confissionarium Book III 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Moinhos invisíveis



pra onde leva esse caminho?
que na hora da canção não tenho par?
será que sempre perco o trem na estação?
tratei de dar adeus às indiferenças
pensei que as bandas estariam caladas
nessa imensidão verde de musgos
minha vida é tão confusa
deixe-me estar na estrada
onde as rodas giram com meus pensamentos acelerados
por músicas e doses de tequila
onde está a lógica desse tempo
que só me deixa pra trás?
como eu queria vagar por aí como um vaga-lume
responsabilidades inúteis não combinam comigo
e tudo o que quero agora
é só olhar pro meu umbigo
chega de repetir o que digo
todo mundo uma hora vai embora.

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Cara a tapa








Que culpa tenho por amar demais?
Sou libertina, promíscua?
Mostro as minhas ligas
e dou a minha língua
a quem desejar
basta apenas me entender
mas se pensas que me entender é fácil
então não sou assim promíscua
podia ser uma boa bisca
entretanto para amar
tem que saber se rasgar
umedecer a calcinha
dar a cara a tapa
e abrir as pernas com classe
mas com classe de puta de carteirinha
tem que gozar e fazer gozar
tem que rezar e deixar sangrar,
acreditar e confessar todos os medos
todos pesadelos sem se importar
e depois de tudo isso
erguer em riste o dedo
ainda saber dizer
eu te amo.


Marisete Zanon - In Confissionarium Book II 

sábado, 30 de abril de 2016

Manias de Maria

                                                                                       imagem do Google

era mais uma Maria
de vida difícil,
alguns dias fáceis.
de filhos, de por favores.
de trabalhos, de insônias.
de dores, de dividir.
de expressar, de escrever.
de medos de confundir
a lista do mercado
Eecrevendo poesia.

Marisete Zanon – In Um cordão de confissões – Book I

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Odeio o trivial


Sempre procurando alguém...
Nenhum estereótipo.
Quero um paradoxo!
Algum pragmático.
Nada de convencionalismo.
Eu odeio! O trivial, o standart.
Alguém que me entenda,
sem racionalismo.
Uma performance...
Uma prova que a vida é arte!
Alguém que chore...
Alguém que saiba meter!
Alguém que saiba enxergar!
Alguém que me descubra...
Que fale a minha língua...
E a devore!



Marisete Zanon – In Um cordão de confissões Book

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Lonjuras



Coração que bate lonjuras
Carrega causas e efeitos
Deixa marcadas rasuras
Marcadas dentro do peito
Rasga a renda do tempo
Tecida pela fina pele
Trançada de segredos
Levada pelo vento
Tão meu...
tão teu coração...
não há distância
para quem ama.

Marisete Zanon 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Dos meus passarinhos sei eu


                                                                     


Podia ser um rastro de caramujo
prendendo a sua atenção
nessas horas absortas,
mas um passarinho na mangueira
lhe arrancava toda a concentração.
Passava tempos assim alienada,
debruçada na janela
com os pensamentos desarmados
e uma arapuca de surpresa
apanharia todos eles.
O que ela teria de mais importante
além de seus pensamentos vazios?
O olhar pela janela...
Ela voava com os pássaros,

>< >< >< >< ><

mas ninguém via...



Marisete Zanon  - In Confissionarium Book

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sinestesia


                                               
                                       


A porta se fecha e atrás dela
quase uma vida se foi
aqui entre essas paredes
restaram cinzas e vida escassa
os cheiros azuis e lilases do nosso amor
que encharcavam nosso santuário de gozo
são agora vermelhos com gosto de mofo e breu
partes inteiras de carnes, afetos e sonhos
partiram para outra herança
restou um gemido fraco esboçado com as mãos
meu corpo vaga perdido nessa imensidão espremida 
de alma e espaço
não durmo 
tudo é complexo e confuso
minha parte abstrata e poeta acenam, despedem-se de mim
e eu permaneço entre essas paredes amargas
que me oprimem e entorpecem sinestesicamente
entre ilusões e bagaços.




Marisete Zanon