quinta-feira, 12 de maio de 2016

Feedback

                                                                            Fotografia - Marisete Zanon

Deixei que tudo se perdesse
na minha memória confusa
perdão, eu disse que guardaria tudo,
a tua voz, tua imagem,
mas baby...pense bem...
a razão às vezes me bloqueia
não me deixa ir além
além daquilo que a circunstância
permita e somos apenas
objetos da função hormonal
de corpos que se perdem
um do outro nesse consumo
de interesses de marketing
de peles, ossos e órgãos
me perdoe se agora
teu rosto não passa de uma
imagem embaçada, distorcida
e nossos movimentos sem play
e a frieza com que agimos depois
não é um blefe
é um déjà vu
eu sei que prometi lembrar,
mas a minha memória me traiu
e só me lembro do frio
esse frio que corta
e congela a alma


Marisete Zanon     - In Confissionarium Book III 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Moinhos invisíveis



pra onde leva esse caminho?
que na hora da canção não tenho par?
será que sempre perco o trem na estação?
tratei de dar adeus às indiferenças
pensei que as bandas estariam caladas
nessa imensidão verde de musgos
minha vida é tão confusa
deixe-me estar na estrada
onde as rodas giram com meus pensamentos acelerados
por músicas e doses de tequila
onde está a lógica desse tempo
que só me deixa pra trás?
como eu queria vagar por aí como um vaga-lume
responsabilidades inúteis não combinam comigo
e tudo o que quero agora
é só olhar pro meu umbigo
chega de repetir o que digo
todo mundo uma hora vai embora.

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Cara a tapa








Que culpa tenho por amar demais?
Sou libertina, promíscua?
Mostro as minhas ligas
e dou a minha língua
a quem desejar
basta apenas me entender
mas se pensas que me entender é fácil
então não sou assim promíscua
podia ser uma boa bisca
entretanto para amar
tem que saber se rasgar
umedecer a calcinha
dar a cara a tapa
e abrir as pernas com classe
mas com classe de puta de carteirinha
tem que gozar e fazer gozar
tem que rezar e deixar sangrar,
acreditar e confessar todos os medos
todos pesadelos sem se importar
e depois de tudo isso
erguer em riste o dedo
ainda saber dizer
eu te amo.


Marisete Zanon - In Confissionarium Book II 

sábado, 30 de abril de 2016

Manias de Maria

                                                                                       imagem do Google

era mais uma Maria
de vida difícil,
alguns dias fáceis.
de filhos, de por favores.
de trabalhos, de insônias.
de dores, de dividir.
de expressar, de escrever.
de medos de confundir
a lista do mercado
Eecrevendo poesia.

Marisete Zanon – In Um cordão de confissões – Book I

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Odeio o trivial


Sempre procurando alguém...
Nenhum estereótipo.
Quero um paradoxo!
Algum pragmático.
Nada de convencionalismo.
Eu odeio! O trivial, o standart.
Alguém que me entenda,
sem racionalismo.
Uma performance...
Uma prova que a vida é arte!
Alguém que chore...
Alguém que saiba meter!
Alguém que saiba enxergar!
Alguém que me descubra...
Que fale a minha língua...
E a devore!



Marisete Zanon – In Um cordão de confissões Book

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Lonjuras



Coração que bate lonjuras
Carrega causas e efeitos
Deixa marcadas rasuras
Marcadas dentro do peito
Rasga a renda do tempo
Tecida pela fina pele
Trançada de segredos
Levada pelo vento
Tão meu...
tão teu coração...
não há distância
para quem ama.

Marisete Zanon 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Dos meus passarinhos sei eu


                                                                     


Podia ser um rastro de caramujo
prendendo a sua atenção
nessas horas absortas,
mas um passarinho na mangueira
lhe arrancava toda a concentração.
Passava tempos assim alienada,
debruçada na janela
com os pensamentos desarmados
e uma arapuca de surpresa
apanharia todos eles.
O que ela teria de mais importante
além de seus pensamentos vazios?
O olhar pela janela...
Ela voava com os pássaros,

>< >< >< >< ><

mas ninguém via...



Marisete Zanon  - In Confissionarium Book

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sinestesia


                                               
                                       


A porta se fecha e atrás dela
quase uma vida se foi
aqui entre essas paredes
restaram cinzas e vida escassa
os cheiros azuis e lilases do nosso amor
que encharcavam nosso santuário de gozo
são agora vermelhos com gosto de mofo e breu
partes inteiras de carnes, afetos e sonhos
partiram para outra herança
restou um gemido fraco esboçado com as mãos
meu corpo vaga perdido nessa imensidão espremida 
de alma e espaço
não durmo 
tudo é complexo e confuso
minha parte abstrata e poeta acenam, despedem-se de mim
e eu permaneço entre essas paredes amargas
que me oprimem e entorpecem sinestesicamente
entre ilusões e bagaços.




Marisete Zanon

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Na hora certa...


                                               


Não me prenda em lugar algum, me deixe livre
preciso de espaço para ser.
Não brigue comigo pelos meus erros, me ensine,
preciso aprender.
Não me diga não chore, você não sabe o que
acontece com uma lágrima aprisionada aqui dentro.
Não me mostre o que é ruim ou bom,
preciso experimentar por mim mesmo para escolher.
Não me diga que é feio ser triste,
cada um sente como pode.
Não me diga que o tempo é curto,
meu rosto me mostra com pequenos detalhes.
Não me diga que o amor é lindo e nos dá felicidade,
eu experimentei muitas vezes e sei que dói.
Não complique o que falo,
apenas ouça com simplicidade.
Não coloque placas em meu caminho,
ele não é igual ao seu, as pedras não estão no mesmo lugar.
Preciso ser livre, mais livre que um voo de pássaro,
porque o dia que eu me for, preciso ir sem medo,
preciso ir leve, consciente de mim.
Não sei se a gente leva as lembranças,
se levar, quero apenas os sorrisos, os dias de sol,
e dias felizes de chuva também.
Espero que não esqueçam o modo
que escolhi para dizer adeus:
cinzas ao vento.
Livre.


Marisete Zanon - In Confissionarium Book

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Bem vinda de volta vida


abandonei a mim mesmo
perdi o olhar de alegria,
o nariz de palhaço
e a simplicidade se tornou obstáculos...
mas em algum lugar
surgiu uma nesga de luz
vibrante e quente
não sei o que aconteceu,
mas algo aqui dentro renasceu
brilhou junto
renovada, alma leve
sim, posso te acompanhar
sunshine, com guarda-sol
se estiver muito quente
e sombrinha se não tiveres presente
sim, eu posso te amar sunshine
a escuridão se foi
e só preciso de doses de afeto
e luz
alternados,
ou os dois juntos e ao mesmo tempo

Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora.