sábado, 27 de fevereiro de 2016

Lonjuras



Coração que bate lonjuras
Carrega causas e efeitos
Deixa marcadas rasuras
Marcadas dentro do peito
Rasga a renda do tempo
Tecida pela fina pele
Trançada de segredos
Levada pelo vento
Tão meu...
tão teu coração...
não há distância
para quem ama.

Marisete Zanon 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Dos meus passarinhos sei eu


                                                                     


Podia ser um rastro de caramujo
prendendo a sua atenção
nessas horas absortas,
mas um passarinho na mangueira
lhe arrancava toda a concentração.
Passava tempos assim alienada,
debruçada na janela
com os pensamentos desarmados
e uma arapuca de surpresa
apanharia todos eles.
O que ela teria de mais importante
além de seus pensamentos vazios?
O olhar pela janela...
Ela voava com os pássaros,

>< >< >< >< ><

mas ninguém via...



Marisete Zanon  - In Confissionarium Book

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sinestesia


                                               
                                       


A porta se fecha e atrás dela
quase uma vida se foi
aqui entre essas paredes
restaram cinzas e vida escassa
os cheiros azuis e lilases do nosso amor
que encharcavam nosso santuário de gozo
são agora vermelhos com gosto de mofo e breu
partes inteiras de carnes, afetos e sonhos
partiram para outra herança
restou um gemido fraco esboçado com as mãos
meu corpo vaga perdido nessa imensidão espremida 
de alma e espaço
não durmo 
tudo é complexo e confuso
minha parte abstrata e poeta acenam, despedem-se de mim
e eu permaneço entre essas paredes amargas
que me oprimem e entorpecem sinestesicamente
entre ilusões e bagaços.




Marisete Zanon

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Na hora certa...


                                               


Não me prenda em lugar algum, me deixe livre
preciso de espaço para ser.
Não brigue comigo pelos meus erros, me ensine,
preciso aprender.
Não me diga não chore, você não sabe o que
acontece com uma lágrima aprisionada aqui dentro.
Não me mostre o que é ruim ou bom,
preciso experimentar por mim mesmo para escolher.
Não me diga que é feio ser triste,
cada um sente como pode.
Não me diga que o tempo é curto,
meu rosto me mostra com pequenos detalhes.
Não me diga que o amor é lindo e nos dá felicidade,
eu experimentei muitas vezes e sei que dói.
Não complique o que falo,
apenas ouça com simplicidade.
Não coloque placas em meu caminho,
ele não é igual ao seu, as pedras não estão no mesmo lugar.
Preciso ser livre, mais livre que um voo de pássaro,
porque o dia que eu me for, preciso ir sem medo,
preciso ir leve, consciente de mim.
Não sei se a gente leva as lembranças,
se levar, quero apenas os sorrisos, os dias de sol,
e dias felizes de chuva também.
Espero que não esqueçam o modo
que escolhi para dizer adeus:
cinzas ao vento.
Livre.


Marisete Zanon - In Confissionarium Book

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Bem vinda de volta vida


abandonei a mim mesmo
perdi o olhar de alegria,
o nariz de palhaço
e a simplicidade se tornou obstáculos...
mas em algum lugar
surgiu uma nesga de luz
vibrante e quente
não sei o que aconteceu,
mas algo aqui dentro renasceu
brilhou junto
renovada, alma leve
sim, posso te acompanhar
sunshine, com guarda-sol
se estiver muito quente
e sombrinha se não tiveres presente
sim, eu posso te amar sunshine
a escuridão se foi
e só preciso de doses de afeto
e luz
alternados,
ou os dois juntos e ao mesmo tempo

Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Meus desejos para 2016




 Esse ano de 2015 (me desculpem) foi uma verdadeira bosta em todos os sentidos e em todas as áreas e para ajudar ainda estive um pouco mais insuportável.  Nosso país assolado pela corrupção, nosso povo manipulado e decepcionado com a falta de justiça e se não bastasse, meus problemas familiares um desastre, mas coisas ruins são boas para nos ajudar a crescer e nos ensinar a tomar cuidado com o que iremos escolher. Tenho fé que 2016 será diferente. E como sempre faço uma lista dos meus desejos aí vai ela, mas não tem nada a ver com Papai Noel e sim com o que eu espero de mim mesmo.
- Em 2016 quero voltar a fazer arte e a escrever.
- Curso de fotografia
- Curso de coreano
- Que a minha bipolaridade se mantenha apenas no polo positivo
- Que eu perca o medo do ser humano
-Que eu possa acreditar nas pessoas
- Quero estar mais próxima dos meus amigos, porque esse ano eu fugi até da minha sombra
- Que eu mantenha os contatos do facebook, mesmo os chatos e aumente
os contatos do G Plus
- Que meu blog volte a bombar (se eu postar nele isso acontecerá), rss
- Que eu seja uma pessoa bem melhor e menos complicada
- Que eu viva cada momento de verdade. Intensamente, servindo de exemplo, sendo luz para iluminar os que ficaram na escuridão como eu fiquei um longo tempo
- Me apaixonar novamente por mim mesma, já que até isso me tiraram, mas estou conseguindo! Consegui me fotografar ontem. Já é um passo!
- Fazer o que for possível para ajudar a mudar o país


E por que as frases não tem um ponto final? Porque cada uma pode ir além do contexto e por isso deixei as paredes abertas

Marisete Zanon

Lê, escreve, faz artes e fotografia

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Poeminha louco


                                                                           



Paz pássaros

Bordoadas borboletas

Prezadas presas

Encanadas encantam

Fardos fartados

De uma vida insana.


Marisete Zanon  

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Contraponto





entre fluídos e gemidos

entre uma e outra estação

entre o céu e o inferno

entre a pele e a alma

há uma vaga de espanto

que não conhece o amor


Marisete Zanon   

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Confissões reticentes

   




deixam rastros e enigmas

essas confissões reticentes

escondidas sob a pele

simulando toques

de advertências

entre a razão definida

e o vácuo do pensamento


Marisete Zanon   -   In Confissionarium Book I 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Amor esquecido




Esse amor que perdeu tempo

Esquecendo de amar

Tropeçou no desleixo

De se conformar

Agora desperta

E briga com as horas

Ralha com os relógios

E eu com medo

Que o seu tempo

Possa ser tarde para mim

E na agonia da espera

Eu decidir o meu fim.



Marisete Zanon