segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Poeminha louco


                                                                           



Paz pássaros

Bordoadas borboletas

Prezadas presas

Encanadas encantam

Fardos fartados

De uma vida insana.


Marisete Zanon  

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Contraponto





entre fluídos e gemidos

entre uma e outra estação

entre o céu e o inferno

entre a pele e a alma

há uma vaga de espanto

que não conhece o amor


Marisete Zanon   

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Confissões reticentes

   




deixam rastros e enigmas

essas confissões reticentes

escondidas sob a pele

simulando toques

de advertências

entre a razão definida

e o vácuo do pensamento


Marisete Zanon   -   In Confissionarium Book I 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Amor esquecido




Esse amor que perdeu tempo

Esquecendo de amar

Tropeçou no desleixo

De se conformar

Agora desperta

E briga com as horas

Ralha com os relógios

E eu com medo

Que o seu tempo

Possa ser tarde para mim

E na agonia da espera

Eu decidir o meu fim.



Marisete Zanon 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Quiçá


                                         



Tenho tentado remover

A poeira dos escombros

dessas lembranças que deixam

mais marcas que um tsunami

o poema sai gótico, choroso

a luz é forte, mas não absorvo

o suficiente para uma lâmpada

e vou enterrando os pés na poeira

até que venha a chuva e lave

o meu corpo, a minha alma

e me dilua com as marés

quiçá ter nascido peixe

teria sorte diferente...


Marisete Zanon 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Desaprovada




Ela fez algumas orações por nós

Cuidou de nossas prioridades

Limpou nossas roupas

Brincou com nossos jogos

E chorou pelos nossos erros

Ensinou como se portar com as pessoas

Mas esqueceu de viver sua vida

Brigou com seus próprios conflitos

E não conseguiu retornar a lucidez

Sepultando seu coração numa pedra qualquer.


Marisete Zanon   - Todos os direitos reservados a autora.

domingo, 5 de julho de 2015

Abandono




Abandono – Poema inspirado em Edgar Allan Poe

A casa doente escorria seus dilemas
pelos telhados.
Nos alicerces,
quase sangue coagulado.
Numa parede desnuda
uma rede tonta chorava.
Tijolos vertiam pruridos.
Janelas pálidas e
pupilas sem vida secavam.
Nos cômodos agonizantes
portas internas gritavam com dor.
Os quartos com hipotermia
Congelavam almas
e a porta principal despedia
seu anfitrião sem piedade
ao abandono,
à sorte dos corvos...

Marisete Zanon     

sábado, 27 de junho de 2015

Deslindar




Olho-me no espelho

Tempo-rugas

Tempo-falhas

Falavas

Que tudo o tempo apaga

Esqueceram as luzes acesas

Rugas- falhas

Resolvi tudo com Botox.


Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Percepções






Tenho estado ensimesmada com o tempo. Como passa voando e nem percebo. Coisas que queria ter feito, mas não consegui, obviamente porque precisei fazer escolhas para não realiza-las. Tudo é uma questão de tempo, ou de opção? Começo a perceber que tem muito mais relacionado a tudo isso e não é apenas uma escolha. No trajeto da vida são despejadas várias situações, momentos indesejados e isso ninguém escolhe, mas posso baixar a cabeça e aceitar, ou lutar, se for possível até a morte. Lutar até a morte... Por quem eu lutaria até a morte? Pela família? Pela Pátria? Por alguns amigos? É uma questão que me deixa impotente, não sei responder. Com o tempo aprendi que não se pode confiar nas pessoas, nem todas são boas, podem ser verdadeiras sim, mas nas suas maldades e pecadinhos. Não se trata de julgar as pessoas e sim de entender o porquê das quais escolho para conviver. Escolho, ou sou escolhida por outras, isso depende da afinidade. Com o tempo a gente vai aprendendo coisas tão simples e me pergunto por que não percebi isso antes. O tempo passa e vai ensinando, no meu caso aos trancos e barrancos, porque sou cabeça dura. O tempo pode ser um aliado, ou também um carrasco. Nessa complexa dúvida penso no que o tempo fez comigo, ou o que fiz dele e a conclusão que chego é que talvez tenhamos nos perdido pela vida e nos abandonado.  Quem entende isso? Eu entendo.

Marisete Zanon  

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Musa insone


                                                                   


a manhã branca abre seus olhos

e eu insônia quero fechar os meus

quando o breu é tu obsessivo

viro-me na cama e espero te dormir

mas meus olhos fechados

teimam em enxergar teu corpo

observar teus movimentos

sentir teu gosto

absorver teu cheiro

arrasto-me sobre teu corpo branco

flutuando na água fresca de quedas brandas

sou a brisa envolvendo-te

penetrando em teus poros

oferecendo-te meu vício lascivo...

abro os meus olhos e vejo teu gozo

meu boto rosa em gemidos.

eu tua musa insone desabrocho.

tu, sonhos, gemidos, sono,

eu musa insone

quero te sonhar em sonhos.



Marisete Zanon   - In Book - Um Cordão de confissões - 2008