terça-feira, 3 de novembro de 2015

Contraponto





entre fluídos e gemidos

entre uma e outra estação

entre o céu e o inferno

entre a pele e a alma

há uma vaga de espanto

que não conhece o amor


Marisete Zanon   

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Confissões reticentes

   




deixam rastros e enigmas

essas confissões reticentes

escondidas sob a pele

simulando toques

de advertências

entre a razão definida

e o vácuo do pensamento


Marisete Zanon   -   In Confissionarium Book I 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Amor esquecido




Esse amor que perdeu tempo

Esquecendo de amar

Tropeçou no desleixo

De se conformar

Agora desperta

E briga com as horas

Ralha com os relógios

E eu com medo

Que o seu tempo

Possa ser tarde para mim

E na agonia da espera

Eu decidir o meu fim.



Marisete Zanon 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Quiçá


                                         



Tenho tentado remover

A poeira dos escombros

dessas lembranças que deixam

mais marcas que um tsunami

o poema sai gótico, choroso

a luz é forte, mas não absorvo

o suficiente para uma lâmpada

e vou enterrando os pés na poeira

até que venha a chuva e lave

o meu corpo, a minha alma

e me dilua com as marés

quiçá ter nascido peixe

teria sorte diferente...


Marisete Zanon 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Desaprovada




Ela fez algumas orações por nós

Cuidou de nossas prioridades

Limpou nossas roupas

Brincou com nossos jogos

E chorou pelos nossos erros

Ensinou como se portar com as pessoas

Mas esqueceu de viver sua vida

Brigou com seus próprios conflitos

E não conseguiu retornar a lucidez

Sepultando seu coração numa pedra qualquer.


Marisete Zanon   - Todos os direitos reservados a autora.

domingo, 5 de julho de 2015

Abandono




Abandono – Poema inspirado em Edgar Allan Poe

A casa doente escorria seus dilemas
pelos telhados.
Nos alicerces,
quase sangue coagulado.
Numa parede desnuda
uma rede tonta chorava.
Tijolos vertiam pruridos.
Janelas pálidas e
pupilas sem vida secavam.
Nos cômodos agonizantes
portas internas gritavam com dor.
Os quartos com hipotermia
Congelavam almas
e a porta principal despedia
seu anfitrião sem piedade
ao abandono,
à sorte dos corvos...

Marisete Zanon     

sábado, 27 de junho de 2015

Deslindar




Olho-me no espelho

Tempo-rugas

Tempo-falhas

Falavas

Que tudo o tempo apaga

Esqueceram as luzes acesas

Rugas- falhas

Resolvi tudo com Botox.


Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Percepções






Tenho estado ensimesmada com o tempo. Como passa voando e nem percebo. Coisas que queria ter feito, mas não consegui, obviamente porque precisei fazer escolhas para não realiza-las. Tudo é uma questão de tempo, ou de opção? Começo a perceber que tem muito mais relacionado a tudo isso e não é apenas uma escolha. No trajeto da vida são despejadas várias situações, momentos indesejados e isso ninguém escolhe, mas posso baixar a cabeça e aceitar, ou lutar, se for possível até a morte. Lutar até a morte... Por quem eu lutaria até a morte? Pela família? Pela Pátria? Por alguns amigos? É uma questão que me deixa impotente, não sei responder. Com o tempo aprendi que não se pode confiar nas pessoas, nem todas são boas, podem ser verdadeiras sim, mas nas suas maldades e pecadinhos. Não se trata de julgar as pessoas e sim de entender o porquê das quais escolho para conviver. Escolho, ou sou escolhida por outras, isso depende da afinidade. Com o tempo a gente vai aprendendo coisas tão simples e me pergunto por que não percebi isso antes. O tempo passa e vai ensinando, no meu caso aos trancos e barrancos, porque sou cabeça dura. O tempo pode ser um aliado, ou também um carrasco. Nessa complexa dúvida penso no que o tempo fez comigo, ou o que fiz dele e a conclusão que chego é que talvez tenhamos nos perdido pela vida e nos abandonado.  Quem entende isso? Eu entendo.

Marisete Zanon  

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Musa insone


                                                                   


a manhã branca abre seus olhos

e eu insônia quero fechar os meus

quando o breu é tu obsessivo

viro-me na cama e espero te dormir

mas meus olhos fechados

teimam em enxergar teu corpo

observar teus movimentos

sentir teu gosto

absorver teu cheiro

arrasto-me sobre teu corpo branco

flutuando na água fresca de quedas brandas

sou a brisa envolvendo-te

penetrando em teus poros

oferecendo-te meu vício lascivo...

abro os meus olhos e vejo teu gozo

meu boto rosa em gemidos.

eu tua musa insone desabrocho.

tu, sonhos, gemidos, sono,

eu musa insone

quero te sonhar em sonhos.



Marisete Zanon   - In Book - Um Cordão de confissões - 2008

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Tanto tempo




tem dias que a curva é um precipício
e despenquei nele assim que comecei a escrever
queria dizer-te sobre o quanto te aprecio
de todas as formas e posições
confessar que és meu vício
mas falo com sinceridade...
mato meus vícios
antes que eles matem a mim
antes que matem a minha inspiração
queria falar que te amo
mas amor em mim é drama
um sentimento que cansa
e mata
vim pra dizer que és meu bálsamo
minha fraqueza
meu motivo de sorrir
e de fazer-te sorrir descontraidamente
e sentir leveza
quero pedir que tudo continue
do mesmo jeito de tantos anos
essa desculpa vadia
nesse tropeço do tal destino
que é paixão todo dia e
que tudo continue assim
exatamente assim
sempre

Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sob efeito de codeína sem pontuação

                                                    Fotografia - Marisete Zanon

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Amigos podem ir além dos que cabem na minha mão


                                                                   


Como eu queria que tudo fosse consideravelmente diferente, que as pessoas fossem diferentes da mesmice, que fossem sinceras, que fossem honestas e levassem em conta o sentimento dos outros, sem preconceitos e discriminações sociais, raciais, ou de gênero. Eu queria ser diferente e não levar as pessoas tão a sério, não me envolver dessa maneira tão intensa com as pessoas que até parece mania. Prefiro aquelas pessoas que vão chegando e de uma palavra dita abre o seu vocabulário e coloca pra fora suas ideias, sua vida e seus desejos. Sinto-me em casa com pessoas assim, sem frescuras, sem ter que desviar de ovos. Gosto de gente com sorriso franco, mesmo que não tenha dentes, mas que seja verdadeiro. Gente que tem a inocência no olhar. Gente que é gente. Gente que ouve e gente que fala a verdade, sem medo. Gente que prospera com os outros, que ajuda, mas o que somos é diferente de tudo isso. Mas o que vemos é diferente de tudo isso. É um passar de perna no outro, puxar o tapete do outro, mentir para o outro e invejar o outro. Iludi-me tanto, me machuquei tanto e machuquei tantos outros, que chegou uma hora que ficou difícil distinguir quem era bom ou mau... Então hoje eu escolho quem me escolhe de peito aberto, quem tem culhões e quem usa calcinha para serem meus amigos e decido quem fica. Não puxo o saco de mais ninguém. Assim que vai ser.

Marisete Zanon
Lê, escreve e faz artes

Todos os direitos reservados a autora.

sexta-feira, 27 de março de 2015

canção brega




já escalei montanhas sem êxito
fiquei perdida na escuridão
lutei com dragões e me queimei
vi anjos falharem ao meu lado
e o demônio rindo à minha frente
vi muitos olhos se fecharem
atravessei campos de espinhos
rastejei por lábios de pecado
abri mão do perdão
e o que é tudo isso
comparado a esquecer você?
implorei por minutos
suportei mentiras medíocres
só para ter você na minha cama
no meu mundo
mas nesse momento...
nesse momento amor
sacudi toda essa sujeira
pra bem longe de mim
onde o vento faz a bendita curva
e traz a cura de ti
vou encontrar o que preciso realmente
nada vai impedir o direito
que tenho de ser bem melhor
desse nada que tive
agora...bem, agora
vou voando buscar a felicidade
que não é nenhuma estrela
ou estorinha de conto de fada
é a vida vivida de outra maneira

Marisete Zanon  


segunda-feira, 23 de março de 2015

Tempo passarinho




tempo, tempo...
silencioso, ou todo alarde
tempo passarinho
voa como a águia
ou como o estorninho
pode ser um beija-flor
mesmo parado bate asas
o tempo fica para trás
e o agora tempo foi
no bater de asas do passarinho
tempo...
tempo que voa passarinho
devora passarinho
que o tempo voou...


Marisete Zanon  - In Confissionarium Book Livro II 

domingo, 15 de março de 2015

Poema tardio...




tem tempo pra tudo nessa vida
mas paixão a essa altura
não estava nos meus planos
mesmo seus olhos sendo verdes
e  seres alguém tão vistoso
e especial
                   [não perfeito
mas seria o meu número exato
não estava nos meus planos
alguém por favor,  me acorda
e acende a luz!
ou não acenda...
deixe-me continuar sonhando
com teu braço em volta de mim
e a mão segurando meu rosto
enquanto nos beijamos
beijos de línguas sedentas
tão demorados que salivam...
dentro do sonho eu sonho
acordar todas as manhãs nos teus braços
sorrir-te e servir-te um banquete
coxas, nádegas, vulva e seios
minha boca é o teu guardanapo amor
servir-te-ei orgasmos com luxúria
e entre rios e vertentes
beberemos cálices de prazer
abrirei as janelas do quarto
para que o sol nos sorria
e sua luz ilumine nosso leito
brincaremos feito crianças
trocaremos sorrisos de felicidade
e  adormeceremos outra vez
para que eu possa acordar
e descobrir que amo sozinha...


Marisete Zanon    - Todos os direitos reservados a autora

quinta-feira, 12 de março de 2015

Odeio o trivial




Sempre procurando alguém...
Nenhum estereotipo
Quero um paradoxo!
Algum pragmático.
Nada de convencionalismo.
Eu odeio! O trivial, o standard.
Alguém que me entenda,
Sem racionalismo.
Uma performance...
Uma prova que a vida é arte!
Alguém que encoste sua alma na minha
Alguém que chore...
Alguém que saiba enxergar
E me enxergar!
Alguém que me cubra...
E alguém que me encontre e descubra.
Que fale a minha língua...
E a devore!


Marisete Zanon – In Um olhar de confissões – Book I

segunda-feira, 9 de março de 2015

Prazeres e Jazz




Como naquele pequeno poema onde atravesso a rua na decisão de partir
e na calçada do outro lado já não sou mais nada. Nem eu, nem tu.
Nunca pensei que pudesse ser assim tão rápido, tão fulminante.
Você fuma um cigarro atrás do outro, perde-se na fumaça esvoaçante e esvazia a garrafa rápido demais. Teimo em permitir-me imaginar para onde viajam teus olhos azuis nesses instantes que parecem infinitos.
Teu coração dispara, mas não é por mim e sim pelo álcool que está a matar-te.
Não sei onde está a poesia nisso, mas mesmo assim eu escrevo. A poesia é meu registro de nascimento e também será o de óbito.
Ah... Essa noite que parece não acabar mais. Estou bem aqui na tua frente, mas o jazz e o álcool te absorvem.
As prostitutas são mais felizes que eu, barganham seus prazeres e ainda levam vantagens. O bordel do outro lado da rua parece elegante e aconchegante, mais que os teus braços. Lá elas se divertem e o que me sobra é um peso mórbido encharcado de álcool perdido em sua própria ignomínia.
O jazz toca no palco com sabor de despedida. Os bares já estão encerrando o expediente, bebo uma dose e levanto-me da mesa, olho por alguns segundos teus olhos azuis, penso nas prostitutas e em seus prazeres que se estendem até onde decidirem seus clientes e elas próprias.
Não vou dar-te outra chance olhos azuis. Vou-me embora, olhos azuis. Vou sim, ali para o bordel perder-me na luxúria e ser feliz com o jazz observando os meus prazeres e eu envolvida nos dele.


Marisete Zanon

sexta-feira, 6 de março de 2015

Falta de mim






de tudo que aprendi é partida
sinto tanta falta de mim
por onde andei?
onde deixei meu coração?
nas ilusões que criei no meu mundo paradisíaco
onde eu era um planeta no teu universo a dar-te sóis e borboletas,
manjares afrodisíacos e carícias sedosas sobre o peito.
nada culpo, não há mais cumplicidade por detrás da tua nuca,
nem carícias, nem sóis e borboletas.
sou apenas um planeta com o coração a deriva.

Marisete Zanon  - In Confissionarium Book - Livro II

quarta-feira, 4 de março de 2015

Calmaria



O silêncio adentrou por entre meus poros, minha carne
e afaga docemente minha alma
ele é doce, suave
e dá-me ânimo depois do último grito barulhento
e eu descanso em paz
nessa silenciosa e deliciosa paz
sem taquicardia exacerbada de ansiedades e esperas rotas.


Marisete Zanon - Todos direitos reservados a autora

terça-feira, 3 de março de 2015

Liberdade de expressão


                                                                     

Quanto tempo ainda vou me permitir estar trancada aqui?
Preciso me libertar. Não sou assim.
Meu esquema é outro. Liberdade.
Há pessoas que preferem viver na clandestinidade.
Vender suas imagens que inventaram para as pessoas leigas.
Ou ingênuas sobre o que se passa por aqui.
Uma imagem para cada um.
Eu sou transparente, eu sou uma bola de vidro.
Minha vida é escancarada, um livro aberto.
Muitos que me conhecem sabem que mergulho fundo
E voo alto, muito alto.
Invisto alto nas emoções que uma leitura possa causar,
Mas invisto pouco em amizades que não me acrescentam nada.
Não sei dizer sim para o que preciso dizer não e vice-versa.
Minha vida é resultado do que eu faço dela,
Não preciso de ninguém para dar palpites.
Sou rebelde com causas quase anárquicas
Sou revoltada com a atitude dos seres humanos mesquinhos
E não com o ser humano.
Às vezes até tento me encaixar no mundo de alguém,
mas se vejo resistência caio fora e que se foda a pessoa.
Sou dama quando preciso, mas barraqueira sou muito melhor.
Se precisar ferir alguém, não firo, aperto fundo o dedo na ferida que ela já tem
E isso basta. Garanto, elas nunca mais voltam.
A covardia, o comodismo e a omissão são cargas negativas dos preguiçosos.
Por isso falo quando preciso, ou brigo quando incitada.
Voo alto para conseguir o que quero
E mergulho fundo quando preciso resolver meus problemas.
Vou à guerra se precisar e garanto que trago muitas medalhas.
Minha liberdade de expressão ninguém tira!!!


Marisete Zanon