quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Amor esquecido




Esse amor que perdeu tempo

Esquecendo de amar

Tropeçou no desleixo

De se conformar

Agora desperta

E briga com as horas

Ralha com os relógios

E eu com medo

Que o seu tempo

Possa ser tarde para mim

E na agonia da espera

Eu decidir o meu fim.



Marisete Zanon 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Quiçá


                                         



Tenho tentado remover

A poeira dos escombros

dessas lembranças que deixam

mais marcas que um tsunami

o poema sai gótico, choroso

a luz é forte, mas não absorvo

o suficiente para uma lâmpada

e vou enterrando os pés na poeira

até que venha a chuva e lave

o meu corpo, a minha alma

e me dilua com as marés

quiçá ter nascido peixe

teria sorte diferente...


Marisete Zanon 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Desaprovada




Ela fez algumas orações por nós

Cuidou de nossas prioridades

Limpou nossas roupas

Brincou com nossos jogos

E chorou pelos nossos erros

Ensinou como se portar com as pessoas

Mas esqueceu de viver sua vida

Brigou com seus próprios conflitos

E não conseguiu retornar a lucidez

Sepultando seu coração numa pedra qualquer.


Marisete Zanon   - Todos os direitos reservados a autora.

domingo, 5 de julho de 2015

Abandono




Abandono – Poema inspirado em Edgar Allan Poe

A casa doente escorria seus dilemas
pelos telhados.
Nos alicerces,
quase sangue coagulado.
Numa parede desnuda
uma rede tonta chorava.
Tijolos vertiam pruridos.
Janelas pálidas e
pupilas sem vida secavam.
Nos cômodos agonizantes
portas internas gritavam com dor.
Os quartos com hipotermia
Congelavam almas
e a porta principal despedia
seu anfitrião sem piedade
ao abandono,
à sorte dos corvos...

Marisete Zanon     

sábado, 27 de junho de 2015

Deslindar




Olho-me no espelho

Tempo-rugas

Tempo-falhas

Falavas

Que tudo o tempo apaga

Esqueceram as luzes acesas

Rugas- falhas

Resolvi tudo com Botox.


Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Percepções






Tenho estado ensimesmada com o tempo. Como passa voando e nem percebo. Coisas que queria ter feito, mas não consegui, obviamente porque precisei fazer escolhas para não realiza-las. Tudo é uma questão de tempo, ou de opção? Começo a perceber que tem muito mais relacionado a tudo isso e não é apenas uma escolha. No trajeto da vida são despejadas várias situações, momentos indesejados e isso ninguém escolhe, mas posso baixar a cabeça e aceitar, ou lutar, se for possível até a morte. Lutar até a morte... Por quem eu lutaria até a morte? Pela família? Pela Pátria? Por alguns amigos? É uma questão que me deixa impotente, não sei responder. Com o tempo aprendi que não se pode confiar nas pessoas, nem todas são boas, podem ser verdadeiras sim, mas nas suas maldades e pecadinhos. Não se trata de julgar as pessoas e sim de entender o porquê das quais escolho para conviver. Escolho, ou sou escolhida por outras, isso depende da afinidade. Com o tempo a gente vai aprendendo coisas tão simples e me pergunto por que não percebi isso antes. O tempo passa e vai ensinando, no meu caso aos trancos e barrancos, porque sou cabeça dura. O tempo pode ser um aliado, ou também um carrasco. Nessa complexa dúvida penso no que o tempo fez comigo, ou o que fiz dele e a conclusão que chego é que talvez tenhamos nos perdido pela vida e nos abandonado.  Quem entende isso? Eu entendo.

Marisete Zanon  

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Musa insone


                                                                   


a manhã branca abre seus olhos

e eu insônia quero fechar os meus

quando o breu é tu obsessivo

viro-me na cama e espero te dormir

mas meus olhos fechados

teimam em enxergar teu corpo

observar teus movimentos

sentir teu gosto

absorver teu cheiro

arrasto-me sobre teu corpo branco

flutuando na água fresca de quedas brandas

sou a brisa envolvendo-te

penetrando em teus poros

oferecendo-te meu vício lascivo...

abro os meus olhos e vejo teu gozo

meu boto rosa em gemidos.

eu tua musa insone desabrocho.

tu, sonhos, gemidos, sono,

eu musa insone

quero te sonhar em sonhos.



Marisete Zanon   - In Book - Um Cordão de confissões - 2008

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Tanto tempo




tem dias que a curva é um precipício
e despenquei nele assim que comecei a escrever
queria dizer-te sobre o quanto te aprecio
de todas as formas e posições
confessar que és meu vício
mas falo com sinceridade...
mato meus vícios
antes que eles matem a mim
antes que matem a minha inspiração
queria falar que te amo
mas amor em mim é drama
um sentimento que cansa
e mata
vim pra dizer que és meu bálsamo
minha fraqueza
meu motivo de sorrir
e de fazer-te sorrir descontraidamente
e sentir leveza
quero pedir que tudo continue
do mesmo jeito de tantos anos
essa desculpa vadia
nesse tropeço do tal destino
que é paixão todo dia e
que tudo continue assim
exatamente assim
sempre

Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sob efeito de codeína sem pontuação

                                                    Fotografia - Marisete Zanon

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Amigos podem ir além dos que cabem na minha mão


                                                                   


Como eu queria que tudo fosse consideravelmente diferente, que as pessoas fossem diferentes da mesmice, que fossem sinceras, que fossem honestas e levassem em conta o sentimento dos outros, sem preconceitos e discriminações sociais, raciais, ou de gênero. Eu queria ser diferente e não levar as pessoas tão a sério, não me envolver dessa maneira tão intensa com as pessoas que até parece mania. Prefiro aquelas pessoas que vão chegando e de uma palavra dita abre o seu vocabulário e coloca pra fora suas ideias, sua vida e seus desejos. Sinto-me em casa com pessoas assim, sem frescuras, sem ter que desviar de ovos. Gosto de gente com sorriso franco, mesmo que não tenha dentes, mas que seja verdadeiro. Gente que tem a inocência no olhar. Gente que é gente. Gente que ouve e gente que fala a verdade, sem medo. Gente que prospera com os outros, que ajuda, mas o que somos é diferente de tudo isso. Mas o que vemos é diferente de tudo isso. É um passar de perna no outro, puxar o tapete do outro, mentir para o outro e invejar o outro. Iludi-me tanto, me machuquei tanto e machuquei tantos outros, que chegou uma hora que ficou difícil distinguir quem era bom ou mau... Então hoje eu escolho quem me escolhe de peito aberto, quem tem culhões e quem usa calcinha para serem meus amigos e decido quem fica. Não puxo o saco de mais ninguém. Assim que vai ser.

Marisete Zanon
Lê, escreve e faz artes

Todos os direitos reservados a autora.