Como eu queria que tudo fosse consideravelmente diferente,
que as pessoas fossem diferentes da mesmice, que fossem sinceras, que fossem
honestas e levassem em conta o sentimento dos outros, sem preconceitos e
discriminações sociais, raciais, ou de gênero. Eu queria ser diferente e não
levar as pessoas tão a sério, não me envolver dessa maneira tão intensa com as
pessoas que até parece mania. Prefiro aquelas pessoas que vão chegando e de uma
palavra dita abre o seu vocabulário e coloca pra fora suas ideias, sua vida e
seus desejos. Sinto-me em casa com pessoas assim, sem frescuras, sem ter que
desviar de ovos. Gosto de gente com sorriso franco, mesmo que não tenha dentes,
mas que seja verdadeiro. Gente que tem a inocência no olhar. Gente que é gente.
Gente que ouve e gente que fala a verdade, sem medo. Gente que prospera com os
outros, que ajuda, mas o que somos é diferente de tudo isso. Mas o que vemos é
diferente de tudo isso. É um passar de perna no outro, puxar o tapete do outro,
mentir para o outro e invejar o outro. Iludi-me tanto, me machuquei tanto e
machuquei tantos outros, que chegou uma hora que ficou difícil distinguir quem
era bom ou mau... Então hoje eu escolho quem me escolhe de peito aberto, quem
tem culhões e quem usa calcinha para serem meus amigos e decido quem fica. Não
puxo o saco de mais ninguém. Assim que vai ser.
Marisete Zanon
Lê, escreve e faz artes
Todos os direitos reservados a autora.
