sábado, 14 de fevereiro de 2015

Composição do corpo






Se o composto do meu corpo deteriora

e o tempo que passa me apavora

se a malha dos tecidos e músculos se esgarça

e receio perder a graça

relembro o tempo passado

de carnes firmes e tez macia...

Sinto a idade de agora

e de súbito a beleza aflora!

Da sabedoria adquirida

e daquela que ainda há de vir...

Meu corpo é o que vivo!


Marisete Zanon - In Um cordão de confissões

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Expatriada




nada do que tinha era seu
nem mesmo os sentimentos,

estes, apanhava nas vagas de aluguel

o desejo sempre à flor das pernas

bebia seus orgasmos como quem

experimenta uma dose de cocaína

pela primeira vez

e depois dormia sobre algum

peito de avelãs.



Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Talvez


                                                                   


Eu não sei ao certo quem és
Não sei qual a tua altura
Ou o número dos teus sapatos
Nem por onde te levam
Não sei como vives
E do que te alimentas
Será de promessas, beijos e prazeres?
Eu não sei o que fiz dos meus sonhos
Eles eram perfeitos
Mas deixei que se dissipassem
Por essa dúvida que me atormentava
Nem sei como te chamas
Alguns dizem paixão, outros amor
Uns loucura
Talvez eu tenha me precipitado
Com o tempo
Com a razão
Deixei que a chuva levasse minhas estrelas
Para não mais poder alcançá-las
Por que, o que são as estrelas sem ti?
Quem sabe agora eu me sente sobre as nuvens
E acaricie o vento imaginando tocar tua mão?
A ilusão é tudo o que me resta
Um doce sonho que não alimentei...

Marisete Zanon 
Todos os direitos reservados a autora

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Do amor e seus vazios




Descrevi o amor em vários aspectos,
vivi o amor de várias maneiras,
experimentei o amor de muitas formas,
mas a vida, essa minha vida de clausura                       
não me mostra nada diferente,
vejo o amor como uma luz através
da neblina, cansei de amar sozinha
de servir a taça, dividir a cama,
de encher o outro e ficar vazia,
de aquecer e ficar fria.
Estou esquecendo o verbo amor,
o ato amar. Se faz presente
outras necessidades mais prementes.
Esse amor egoísta que é Eros,
que serve para amar apenas um,
não está mais cabendo em mim.
Essa busca de amar e ser amado
é como um bote sem remos contra a maré,
em mim naufraga essa possibilidade
e nem adianta as lágrimas tentarem me afogar
não vou morrer por essa necessidade.
Coube ao destino que eu amasse sozinha,
mas tudo na vida tem um fim. A tristeza,
a alegria, a paixão, a dor, a luz, a escuridão,
a raiva, a noite e o dia...
O que é o amor mesmo?



Marisete Zanon    - In Confissionarium Book - Livro II

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Como fazer poemas




Um dia desses, uma menina de doze anos me perguntou como fazia poesias. Olhei bem pro rostinho dela e fiquei pensando como iria responder a sua pergunta de uma maneira que pudesse me entender. Bem, perguntei-lhe: gosta de teatro? Ela bem ligeiro respondeu que sim e então fiz outra pergunta: gosta de música? Afirmou com a cabeça olhando-me curiosa. Fiz-lhe a terceira pergunta: gosta de dança? Prontamente balançou a cabeça que sim. Imaginei o que ela deveria estar pensando, pois só lhe havia feito perguntas e não respondi-lhe coisa alguma, mas precisei conter a minha ansiedade juntamente com a dela e falei: a poesia surge quando interpreto sentimentos ou situações dos mais variados tipos e deixo que cada um mostre o seu som específico para depois deixar que dancem um pouco na minha mente (enquanto falava, gesticulava, fazia encenações com minhas mãos a fim de fazer-me entender pela pequena que prestava atenção com os olhos e ouvidos bem atentos) e por fim ainda tem o tato, que permite saber como tocar a pele do poema; com leveza, ou com toques mais apertados. Tomei sua mão e toquei de leve com o polegar a sua palma por alguns segundos, com seus olhinhos em mim. Então é assim que você faz poemas? Toca as pessoas? Não pude evitar a lágrima que escorreu do meu olho.


Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados à autora.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Surreal



                                                                                   

preciso respirar

um gole de mar

pular saudades contidas

em meu peito




voar ventanias

em córregos lentos


preciso limpar

a dor do meu tempo

porque meu relógio chora

ponteiros sem alento...



Marisete Zanon   - In Confissionaruim Book 


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Servidão




esse alerta

que me desprende

da minha realidade

me desperta

me descola do chão

me faz escorrer nas paredes

e me atira

no conforto

                       [confronto

raiz

e

asas

tento acostumar no macio

no olhar bondoso das asas

mas não posso...

                       [ sou silêncio
servidão

raízes...

sou árvore




Marisete Zanon – Todos os direitos reservados a autora

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O vão da solidão





solitário esse meu eu
mas não me queixo
ele é lilás
da cor dos sentimentos
que ficaram para trás
mas que aqui dentro deixo
como um pedaço
dessa solidão que ficou
em cada coração pendurado
a solidão senta no banco
e observa
as árvores e as ervas
a paz
dos que dançam no parque
daqueles que aguardam
o desembarque
sem ter alguém a lhe esperar
observa a distância
dos que querem proximidade
a solidão observa
a minha esmerada solidão
na minha intimidade encarcerada



Marisete Zanon – Todos os direitos reservados a autora

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Dúvidas



A vontade do prazer é uma espada

cravada na ansiedade que o meu peito carrega

e o anjo desce dos céus

erguendo-me a cada vez que morro.

A cada vez que renasço

acendo um cigarro que queima

pouco a pouco a esperança.

Quando o absoluto torna-se vulnerável

os demônios do desejo

enlouquecem as dúvidas.

O certo e o errado.

O bem e o mal.

O côncavo e o convexo.

O querer e o não querer.

Nesses assombrosos itinerários da incerteza

não tem anjo e nem demônio

que me entenda.


Marisete Zanon 
 
Todos os direitos reservados a autora

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Que venha 2015!!!



A todos os seguidores e amigos...


VIVA 2015 como se fosse o último ano de sua vida!!!

Abraços com carinho a todos desta escritora que vos admira,

Marisete Zanon ...

Agora...Férias!!! Até breve queridos!