Um dia desses, uma menina de doze anos me perguntou como fazia
poesias. Olhei bem pro rostinho dela e fiquei pensando como iria responder a
sua pergunta de uma maneira que pudesse me entender. Bem, perguntei-lhe: gosta
de teatro? Ela bem ligeiro respondeu que sim e então fiz outra pergunta: gosta
de música? Afirmou com a cabeça olhando-me curiosa. Fiz-lhe a terceira
pergunta: gosta de dança? Prontamente balançou a cabeça que sim. Imaginei o que
ela deveria estar pensando, pois só lhe havia feito perguntas e não respondi-lhe coisa alguma, mas precisei conter a minha ansiedade juntamente com a dela e falei: a
poesia surge quando interpreto sentimentos ou situações dos mais variados tipos
e deixo que cada um mostre o seu som específico para depois deixar que dancem
um pouco na minha mente (enquanto falava, gesticulava, fazia encenações com
minhas mãos a fim de fazer-me entender pela pequena que prestava atenção com os
olhos e ouvidos bem atentos) e por fim ainda tem o tato, que permite saber como
tocar a pele do poema; com leveza, ou com toques mais apertados. Tomei sua mão
e toquei de leve com o polegar a sua palma por alguns segundos, com seus
olhinhos em mim. Então é assim que você faz poemas? Toca as pessoas? Não pude
evitar a lágrima que escorreu do meu olho.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
sábado, 24 de janeiro de 2015
Surreal
preciso respirar
um gole de mar
pular saudades contidas
em meu peito
voar ventanias
em córregos lentos
preciso limpar
a dor do meu tempo
porque meu relógio chora
ponteiros sem alento...
Marisete Zanon - In Confissionaruim Book
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Servidão
esse alerta
que me desprende
da minha realidade
me desperta
me descola do chão
me faz escorrer nas paredes
e me atira
no conforto
[confronto
raiz
e
asas
tento acostumar no macio
no olhar bondoso das asas
mas não posso...
[ sou silêncio
servidão
raízes...
sou árvore
Marisete Zanon – Todos os direitos reservados a autora
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
O vão da solidão
solitário esse meu eu
mas não me queixo
ele é lilás
da cor dos sentimentos
que ficaram para trás
mas que aqui dentro deixo
como um pedaço
dessa solidão que ficou
em cada coração pendurado
a solidão senta no banco
e observa
as árvores e as ervas
a paz
dos que dançam no parque
daqueles que aguardam
o desembarque
sem ter alguém a lhe esperar
observa a distância
dos que querem proximidade
a solidão observa
a minha esmerada solidão
na minha intimidade encarcerada
Marisete Zanon – Todos os direitos reservados a autora
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Dúvidas
A vontade do prazer é
uma espada
cravada na ansiedade
que o meu peito carrega
e o anjo desce dos céus
erguendo-me a cada vez
que morro.
A cada vez que renasço
acendo um cigarro que
queima
pouco a pouco a
esperança.
Quando o absoluto
torna-se vulnerável
os demônios do desejo
enlouquecem as dúvidas.
O certo e o errado.
O bem e o mal.
O côncavo e o convexo.
O querer e o não
querer.
Nesses assombrosos
itinerários da incerteza
não tem anjo e nem
demônio
que me entenda.
Marisete Zanon
Todos os direitos reservados a autora
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Que venha 2015!!!
A todos os seguidores e amigos...
VIVA 2015 como se fosse o último ano de sua vida!!!
Abraços com carinho a todos desta escritora que vos admira,
Marisete Zanon ...
Agora...Férias!!! Até breve queridos!
Eu e a minha tal felicidade...
Fotografia - Zuzza Suassuna de Oliveira
Marisete Zanon
Seguidamente tenho falado de felicidade com as pessoas ou
aqui comigo mesmo. O que é felicidade pra você? Bem, pra mim parece que
consegui aprender a entender como funciona. É como se tivesse passado a vida
inteira buscando respostas e elas estivessem bem aqui dentro de mim e estão. O
amor próprio com moderação é o primeiro elemento. Realizar sonhos, buscar
atingir objetivos pessoais e profissionais, esses são princípios básicos. Dividir,
compartilhar momentos com pessoas que queremos bem nos ajuda a manter a
felicidade. Passei muitos anos da minha vida pensando, dando valor e dedicando
meu tempo a pessoas que não mereciam sequer a minha admiração. Ninguém nos traz felicidade, ela não está nas
pessoas. Cansei de estar em companhia dos outros e estar só. É horrível. Tudo
na vida é um processo de espera e dor. Para a alegria chegar experimentamos
antes a dor de esperar. Alguns com mais paciência, outros com ansiedade
exagerada. Tudo vai da maneira que cada um é. Eu sempre escolhi o pior em tudo,
mas é tempo de corrigir minhas opções. Eu sou única, especial e tenho vários
talentos que muitos gostariam de ter e não tem. Muito do que me orgulhar e ser
feliz. Para quem leu, obrigada e que isso sirva como um toque de luz na sua
vida.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Compilando
Fotografia - José Zuzza Suassuna de Oliveira
às vezes tropeço na falta que sinto do teu corpo
percebo que afundo e rastejo nas nesgas que restaram
ao tatear as lembranças que me trazem teu perfume
um ácido aroma de pêssego e maçã verde
dos cabelos às pontas dos pés
ressurjo
ave emplumada do paraíso
delicada
suave
sedosa
dona do teu fetiche
gazela saltitante no cio
flor perfumada que desabrocha
tremo
contorço-me
gozo
pronuncio silenciosamente teu nome
num sussurro desmedido silabicamente em ahnns
desfaleço
pétalas murchas de
rosas vermelhas ainda quentes
o tempo
o agora
volta na ponta do meu dedo
deixando um pouco mais de ti em mim
amontoando brisas perfumadas
Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Alucinações
Fotografia - Lucile Justus - Curitiba - Pr - Brasil
® Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora
andei meio que louca
andei meio que tonta
deixei ir os meus amores
as Marianas, as Anas,
os Aldos, os Ronaldos
extenuada epinefrina...
confusão quântica emocional...
andei meio que louca
andei meio que tonta
os sensíveis sofrem mais
sentem e pressentem mais
um carma maldito
isso de ser poeta
andei meio que louca
andei meio que tonta
cheguei ao extremo
descobri até onde posso ir
o restante do infinito
não vi, não consegui
não tinha olhos e nem pernas
aleijada física e emocional
andei meio que louca
andei meio que tonta
quis viver menos
arriscar menos
evitar mais danos
evitar morrer muitas vezes
deixar de perguntar
as respostas trazem mais perguntas
é um ciclo irritante
e o medo ronda o desconhecido
andei meio que louca
andei meio que tonta
um emaranhado de drogas
carba, lorazepan, lítio e lyrica
alucinam até minha alma
não sou eu que vive
tem um monstro atrás dos meus olhos
me empurra pro abismo
e lá se vão todas as recordações
colidem com o contemporâneo
andei meio que louca
andei meio que tonta
o quadrado do meu mundo
gira em círculos...
e não perco a esperança
o meu planeta vai passar por aqui
e o meu quadrado vai girando
ao seu encontro...
sábado, 13 de dezembro de 2014
Nossas cruzes
imagem do Google
Pela porta do olhar contempla ao redor
gravetos, ossos, cruzes espalhadas
e roupas rasgadas num varal
a escuridão se estende até onde o olhar alcança
a casa de tábuas e frestas abandonada
plugada ao inferno, conectada a terra árida
transformada em poeira cinza esverdeada
do esquecimento marginal, perdida de si mesma
com um abismo a provocar-lhe os pés
num lugar lúgubre de onde os desejos
e sentimentos envelhecidos se perderam...
e onde procurá-los de volta?
não sabia, talvez em algum coração
enterrado debaixo de alguma daquelas cruzes
sem nenhum significado pungente,
já incapaz de perceber
que o tempo era morto
pendurado num pêndulo
imóvel no galho
de uma árvore
seca.
Marisete
Zanon - In Confissionarium Book Livro II
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