quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Como fazer poemas




Um dia desses, uma menina de doze anos me perguntou como fazia poesias. Olhei bem pro rostinho dela e fiquei pensando como iria responder a sua pergunta de uma maneira que pudesse me entender. Bem, perguntei-lhe: gosta de teatro? Ela bem ligeiro respondeu que sim e então fiz outra pergunta: gosta de música? Afirmou com a cabeça olhando-me curiosa. Fiz-lhe a terceira pergunta: gosta de dança? Prontamente balançou a cabeça que sim. Imaginei o que ela deveria estar pensando, pois só lhe havia feito perguntas e não respondi-lhe coisa alguma, mas precisei conter a minha ansiedade juntamente com a dela e falei: a poesia surge quando interpreto sentimentos ou situações dos mais variados tipos e deixo que cada um mostre o seu som específico para depois deixar que dancem um pouco na minha mente (enquanto falava, gesticulava, fazia encenações com minhas mãos a fim de fazer-me entender pela pequena que prestava atenção com os olhos e ouvidos bem atentos) e por fim ainda tem o tato, que permite saber como tocar a pele do poema; com leveza, ou com toques mais apertados. Tomei sua mão e toquei de leve com o polegar a sua palma por alguns segundos, com seus olhinhos em mim. Então é assim que você faz poemas? Toca as pessoas? Não pude evitar a lágrima que escorreu do meu olho.


Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados à autora.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Surreal



                                                                                   

preciso respirar

um gole de mar

pular saudades contidas

em meu peito




voar ventanias

em córregos lentos


preciso limpar

a dor do meu tempo

porque meu relógio chora

ponteiros sem alento...



Marisete Zanon   - In Confissionaruim Book 


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Servidão




esse alerta

que me desprende

da minha realidade

me desperta

me descola do chão

me faz escorrer nas paredes

e me atira

no conforto

                       [confronto

raiz

e

asas

tento acostumar no macio

no olhar bondoso das asas

mas não posso...

                       [ sou silêncio
servidão

raízes...

sou árvore




Marisete Zanon – Todos os direitos reservados a autora

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O vão da solidão





solitário esse meu eu
mas não me queixo
ele é lilás
da cor dos sentimentos
que ficaram para trás
mas que aqui dentro deixo
como um pedaço
dessa solidão que ficou
em cada coração pendurado
a solidão senta no banco
e observa
as árvores e as ervas
a paz
dos que dançam no parque
daqueles que aguardam
o desembarque
sem ter alguém a lhe esperar
observa a distância
dos que querem proximidade
a solidão observa
a minha esmerada solidão
na minha intimidade encarcerada



Marisete Zanon – Todos os direitos reservados a autora

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Dúvidas



A vontade do prazer é uma espada

cravada na ansiedade que o meu peito carrega

e o anjo desce dos céus

erguendo-me a cada vez que morro.

A cada vez que renasço

acendo um cigarro que queima

pouco a pouco a esperança.

Quando o absoluto torna-se vulnerável

os demônios do desejo

enlouquecem as dúvidas.

O certo e o errado.

O bem e o mal.

O côncavo e o convexo.

O querer e o não querer.

Nesses assombrosos itinerários da incerteza

não tem anjo e nem demônio

que me entenda.


Marisete Zanon 
 
Todos os direitos reservados a autora

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Que venha 2015!!!



A todos os seguidores e amigos...


VIVA 2015 como se fosse o último ano de sua vida!!!

Abraços com carinho a todos desta escritora que vos admira,

Marisete Zanon ...

Agora...Férias!!! Até breve queridos!

Eu e a minha tal felicidade...

                                           Fotografia - Zuzza Suassuna de Oliveira


Seguidamente tenho falado de felicidade com as pessoas ou aqui comigo mesmo. O que é felicidade pra você? Bem, pra mim parece que consegui aprender a entender como funciona. É como se tivesse passado a vida inteira buscando respostas e elas estivessem bem aqui dentro de mim e estão. O amor próprio com moderação é o primeiro elemento. Realizar sonhos, buscar atingir objetivos pessoais e profissionais, esses são princípios básicos. Dividir, compartilhar momentos com pessoas que queremos bem nos ajuda a manter a felicidade. Passei muitos anos da minha vida pensando, dando valor e dedicando meu tempo a pessoas que não mereciam sequer a minha admiração.  Ninguém nos traz felicidade, ela não está nas pessoas. Cansei de estar em companhia dos outros e estar só. É horrível. Tudo na vida é um processo de espera e dor. Para a alegria chegar experimentamos antes a dor de esperar. Alguns com mais paciência, outros com ansiedade exagerada. Tudo vai da maneira que cada um é. Eu sempre escolhi o pior em tudo, mas é tempo de corrigir minhas opções. Eu sou única, especial e tenho vários talentos que muitos gostariam de ter e não tem. Muito do que me orgulhar e ser feliz. Para quem leu, obrigada e que isso sirva como um toque de luz na sua vida.

Marisete Zanon  

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Compilando

                                               Fotografia - José Zuzza Suassuna de Oliveira


às vezes tropeço na falta que sinto do teu corpo
percebo que afundo e rastejo nas nesgas que restaram
ao tatear as lembranças que me trazem teu perfume
um ácido aroma de pêssego e maçã verde
dos cabelos às pontas dos pés
ressurjo
ave emplumada do paraíso
delicada
suave
sedosa
dona do teu fetiche
gazela saltitante no cio
flor perfumada que desabrocha
tremo
contorço-me
gozo
pronuncio silenciosamente teu nome
num sussurro desmedido silabicamente em ahnns
desfaleço
pétalas murchas de rosas vermelhas ainda quentes
o tempo
o agora
volta na ponta do meu dedo
deixando um pouco mais de ti em mim

amontoando brisas perfumadas

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Alucinações

                                    Fotografia - Lucile Justus - Curitiba - Pr - Brasil



andei meio que louca
andei meio que tonta
deixei ir os meus amores
as Marianas, as Anas,
os Aldos, os Ronaldos
extenuada epinefrina...
confusão quântica emocional...

andei meio que louca
andei meio que tonta
os sensíveis sofrem mais
sentem e pressentem mais
um carma maldito
isso de ser poeta

andei meio que louca
andei meio que tonta
cheguei ao extremo
descobri até onde posso ir
o restante do infinito
não vi, não consegui
não tinha olhos e nem pernas
aleijada física e emocional

andei meio que louca
andei meio que tonta
quis viver menos
arriscar menos
evitar mais danos
evitar morrer muitas vezes
deixar de perguntar
as respostas trazem mais perguntas
é um ciclo irritante
e o medo ronda o desconhecido

andei meio que louca
andei meio que tonta
um emaranhado de drogas
carba, lorazepan, lítio e lyrica
alucinam até minha alma
não sou eu que vive
tem um monstro atrás dos meus olhos
me empurra pro abismo
e lá se vão todas as recordações
colidem com o contemporâneo

andei meio que louca
andei meio que tonta
o quadrado do meu mundo
gira em círculos...
e não perco a esperança
o meu planeta vai passar por aqui
e o meu quadrado vai girando
ao seu encontro...


 ® Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora

sábado, 13 de dezembro de 2014

Nossas cruzes

imagem do Google


Pela porta do olhar contempla ao redor

gravetos, ossos, cruzes espalhadas

e roupas rasgadas num varal

a escuridão se estende até onde o olhar alcança

a casa de tábuas e frestas abandonada

plugada ao inferno, conectada a terra árida

transformada em poeira cinza esverdeada

do esquecimento marginal, perdida de si mesma

com um abismo a provocar-lhe os pés

num lugar lúgubre de onde os desejos

e sentimentos envelhecidos se perderam...

e onde procurá-los de volta?

não sabia, talvez em algum coração

enterrado debaixo de alguma daquelas cruzes

sem nenhum significado pungente,

já incapaz de perceber

que o tempo era morto

pendurado num pêndulo

imóvel no galho

de uma árvore

seca.


Marisete  Zanon - In Confissionarium Book Livro II