segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Que venha 2015!!!



A todos os seguidores e amigos...


VIVA 2015 como se fosse o último ano de sua vida!!!

Abraços com carinho a todos desta escritora que vos admira,

Marisete Zanon ...

Agora...Férias!!! Até breve queridos!

Eu e a minha tal felicidade...

                                           Fotografia - Zuzza Suassuna de Oliveira


Seguidamente tenho falado de felicidade com as pessoas ou aqui comigo mesmo. O que é felicidade pra você? Bem, pra mim parece que consegui aprender a entender como funciona. É como se tivesse passado a vida inteira buscando respostas e elas estivessem bem aqui dentro de mim e estão. O amor próprio com moderação é o primeiro elemento. Realizar sonhos, buscar atingir objetivos pessoais e profissionais, esses são princípios básicos. Dividir, compartilhar momentos com pessoas que queremos bem nos ajuda a manter a felicidade. Passei muitos anos da minha vida pensando, dando valor e dedicando meu tempo a pessoas que não mereciam sequer a minha admiração.  Ninguém nos traz felicidade, ela não está nas pessoas. Cansei de estar em companhia dos outros e estar só. É horrível. Tudo na vida é um processo de espera e dor. Para a alegria chegar experimentamos antes a dor de esperar. Alguns com mais paciência, outros com ansiedade exagerada. Tudo vai da maneira que cada um é. Eu sempre escolhi o pior em tudo, mas é tempo de corrigir minhas opções. Eu sou única, especial e tenho vários talentos que muitos gostariam de ter e não tem. Muito do que me orgulhar e ser feliz. Para quem leu, obrigada e que isso sirva como um toque de luz na sua vida.

Marisete Zanon  

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Compilando

                                               Fotografia - José Zuzza Suassuna de Oliveira


às vezes tropeço na falta que sinto do teu corpo
percebo que afundo e rastejo nas nesgas que restaram
ao tatear as lembranças que me trazem teu perfume
um ácido aroma de pêssego e maçã verde
dos cabelos às pontas dos pés
ressurjo
ave emplumada do paraíso
delicada
suave
sedosa
dona do teu fetiche
gazela saltitante no cio
flor perfumada que desabrocha
tremo
contorço-me
gozo
pronuncio silenciosamente teu nome
num sussurro desmedido silabicamente em ahnns
desfaleço
pétalas murchas de rosas vermelhas ainda quentes
o tempo
o agora
volta na ponta do meu dedo
deixando um pouco mais de ti em mim

amontoando brisas perfumadas

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Alucinações

                                    Fotografia - Lucile Justus - Curitiba - Pr - Brasil



andei meio que louca
andei meio que tonta
deixei ir os meus amores
as Marianas, as Anas,
os Aldos, os Ronaldos
extenuada epinefrina...
confusão quântica emocional...

andei meio que louca
andei meio que tonta
os sensíveis sofrem mais
sentem e pressentem mais
um carma maldito
isso de ser poeta

andei meio que louca
andei meio que tonta
cheguei ao extremo
descobri até onde posso ir
o restante do infinito
não vi, não consegui
não tinha olhos e nem pernas
aleijada física e emocional

andei meio que louca
andei meio que tonta
quis viver menos
arriscar menos
evitar mais danos
evitar morrer muitas vezes
deixar de perguntar
as respostas trazem mais perguntas
é um ciclo irritante
e o medo ronda o desconhecido

andei meio que louca
andei meio que tonta
um emaranhado de drogas
carba, lorazepan, lítio e lyrica
alucinam até minha alma
não sou eu que vive
tem um monstro atrás dos meus olhos
me empurra pro abismo
e lá se vão todas as recordações
colidem com o contemporâneo

andei meio que louca
andei meio que tonta
o quadrado do meu mundo
gira em círculos...
e não perco a esperança
o meu planeta vai passar por aqui
e o meu quadrado vai girando
ao seu encontro...


 ® Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora

sábado, 13 de dezembro de 2014

Nossas cruzes

imagem do Google


Pela porta do olhar contempla ao redor

gravetos, ossos, cruzes espalhadas

e roupas rasgadas num varal

a escuridão se estende até onde o olhar alcança

a casa de tábuas e frestas abandonada

plugada ao inferno, conectada a terra árida

transformada em poeira cinza esverdeada

do esquecimento marginal, perdida de si mesma

com um abismo a provocar-lhe os pés

num lugar lúgubre de onde os desejos

e sentimentos envelhecidos se perderam...

e onde procurá-los de volta?

não sabia, talvez em algum coração

enterrado debaixo de alguma daquelas cruzes

sem nenhum significado pungente,

já incapaz de perceber

que o tempo era morto

pendurado num pêndulo

imóvel no galho

de uma árvore

seca.


Marisete  Zanon - In Confissionarium Book Livro II

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Saltando das nuvens





Eu ainda não sei porque te carrego aqui dentro
como uma imagem surreal desenhada num papel
não há dúvidas, tu flutuas na minha mente
és uma lembrança que nunca toquei,
não pude sentir o calor, apenas imagino
e assim amarras as minhas atitudes
e fica impossível de ir a qualquer lugar
no meu pensamento que não seja teu corpo
onde voam borboletas
preciso voar no céu azul, entre as árvores
com flores perfumadas na primavera
mas prendes meu olhar dentro do teu
e faz de mim refém
porque o que há em mim é o que sei,
mas tu não sabes que sabes
e a dúvida te atormenta.
Basta atirar-te das nuvens
e sentir o prazer
de cair na liberdade de amar.
O que há em mim é o que sei,
mas estou impedida de ter
não de sentir.


Marisete Zanon    - Todos os direitos reservados a autora 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Um recorte do diário de visitas ao inferno

                                                                         Óleo s/tela - Marisete Zanon


Minha memória está um caos. Tenho confundido sonhos com realidade. Estou vivendo através de algumas listas de tarefas diárias que eu mesma faço, enquanto estou viva, para não me perder no emaranhado dos dias. Em visita ao inferno (mais uma em meio a centenas já feitas), o mesmo assunto, o mesmo ranger de dentes, o mesmo tapa de luvas, o mesmo pulo arisco do rato fugindo da ratoeira. Aqueles olhares para os quais digo, estes meus olhares, porque a mim também pertencem. Olhando para o nada, o invisível que “tangentemente” quase esbarra no real de nossas incapacidades, quase capazes de diluir o mundo em um suspiro desgraçado. Olhares perdidos, dependentes. Sempre dependentes de alguma mão que nos ofereça em alguma bandeja suja a nossa dependência.
As listas de tarefas estão espalhadas pela casa, não pela ignorância, mas pelo fato de não haver mais memória. Os esboços do que antes era pré-visualização do concreto não passam de utopias. Uma gigantesca esfera está sempre rolando em minha direção prestes a me esmagar, se as listas não estiverem próximas de mim. E o diabo disse que ainda vai piorar, mas eu não me entrego às suas pragas e maldições. Cada dia coloco um pouquinho de mim que se foi dentro de uma caixinha estampada de florzinhas rosas e vermelhas e adorno com uma peninha de anjo e aceno com o bater de asas de Mariposa Monarca. E as listas me salvam do resto.

® Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Definições de meios




metades não me agradam

meios termos não satisfazem

meio cheio não completa

é solidão absoluta

ou companhia concreta

ou é a vida plena

ou a morte viva e certa


Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados a autora

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Qualquer fio de razão

                         

te perco nessas vagas do pensamento e,

torno a te encontrar como em um desses poemas

que se faz chorando, porque sentimentos são raízes

que crescem íntegros ou contaminados

o que encontro em ti são solidões esquecidas de afetos

the ends de percursos tortuosos, sem esperança

um fim de discurso com gosto de saudade

do que não foi dito ou realizado

se houve um êxtase verdadeiro, comento

é nele que me apego pra manter a chama da vida

Incinerando amarguras e desalentos.


Marisete Zanon 

domingo, 12 de outubro de 2014

Flagrantes de mim

                                                                 Fotografia - Marisete Zanon


Alguém flagrou meu momento

Eu sei que sou desatenta

Tenho andado em câmera lenta

E não tenho mais paciência

Para interpretar meu personagem

Prefiro que fique a margem

Na peça do eu sou

De direito tenho um braço

Vagueio sem compasso

Sou mesmo torta

Nem me embaraço

A hora que quiser

Bato a porta

E vou embora

Sem abraço e sem memória!!!




Marisete Zanon   - Do livro Confissionarium - Livro II