segunda-feira, 9 de junho de 2014

Passagem

                                                     


 no quarto pairava um perfume amadeirado
onde um silêncio alucinado de emoções
satisfazia a menina de caprichos fúteis e inúteis
chorou e sumiu pela porta dos sonhos
e uma mulher emergiu em sua plenitude
na despedida não chorou
amadureceu
mas e quem disse que uma mulher madura
não chora às escondidas?


Marisete Zanon    -  Todos os direitos reservados a autora

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Ritual

       fotostudiodk.blogspot.com.br



As chamas das velas pareciam acompanhar
o ritmo de Missing tocando na sala.
Enquanto as acendia, dentro de mim acendiam recordações.
Imaginei sentir o calor de um estio.
Nossos risos e gestos povoavam minhas lembranças.
O vinho tinto nas taças de cristal pintava o ambiente.
Quando a lucidez ia embora,
nossa pele era a melhor roupa que vestíamos.
Mesmo hoje, sem a tua presença, continuo o ritual.
Acendo as velas, coloco a nossa música,
abro o vinho e me sento à mesa, no mesmo lugar.
Depois me visto com a melhor roupa...



Marisete Zanon  - In Um cordão de confissões - 2008

terça-feira, 3 de junho de 2014

Estado

                                                                    imagem do Google


Hoje eu queria

poder dizer

que estou

com aquele

tal estado

de espírito

que nem o

Diabo pode,

mas na verdade

estou num estado

de precariedade

provinciana.




Marisete Zanon  - In Confissionarium Book - Livro II

domingo, 1 de junho de 2014

Feedback

                                                                                       Фото Павел Апалькин


Deixei que tudo se perdesse
na minha memória confusa
perdão, eu disse que guardaria tudo
a tua voz, tua imagem,
mas baby...pense bem
a razão às vezes me bloqueia
não me deixa ir além
além daquilo que a circunstância
permita e somos apenas
objetos da função hormonal
de corpos que se perdem
um do outro nesse consumo
de interesses de marketing
de peles, ossos e órgãos
me perdoe se agora
teu rosto não passa de uma
imagem embaçada, distorcida
e nossos movimentos sem play
e a frieza com que agimos depois
não é um blefe
é um déjà vu
eu sei que prometi lembrar,
mas a minha memória me traiu
e só me lembro do frio
esse frio que corta
e congela a alma.


Marisete Zanon    - In Confissionarium Book - LivroII 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Estranho

                                                                                  imagem da web


há um estranho que habita entre mim e esses muros
que percorre meu mundo em pequenos silêncios
e arranca de mim suspiros de esperança
dorme comigo e acorda em êxtase.
balança no tempo paradoxal do meu universo
feito menino brincando a me provocar
nos miúdos momentos de sua ausência
antes mesmo de uma lágrima desmanchar
já está de volta sorrindo e sereno
chamando-me pra me amar
e nos intervalos do amor
entende ainda mais de amor
faz-me gemer ânsias e desejos acumulados
compreende minhas angústias e espera minhas esperanças
mais do que eu comigo
estranho que não estranho conhecer
que preencheu espaços vazios e rasos
com seu mais profundo prazer
estranho, que agora disse
és mais íntimo do que se possa parecer.

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora. 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Trocadilho proibido

                                                                                                       Imagem do Google


dentro da noite
os passos que ouço
vem em minha direção
é pesado
mas suave no jeito
escuto o timbre grave
chamar-me menina
ainda
surpreende-me o homem
dos meus sonhos de mocinha
entra ele e entra a noite em mim
mas é só um desejo calcificado
quis o destino impedir nossos sonhos
e vivemos assim apartados
metade da minha alma
minha laranja gêmea
os caprichos e os muros
não irão impedir
que venhas todas as noites
fazer amor comigo

e chamar-me tua menina


Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Falta de mim

                                                                                                    Imagem do Google


De tudo que aprendi é partida

sinto tanta falta de mim


por onde andei


onde deixei meu coração?


Nas ilusões que criei no meu mundo paradisíaco


onde eu era um planeta no teu universo a dar-te sóis e borboletas,


manjares afrodisíacos e carícias sedosas sobre o peito.


Nada culpo, não há mais cumplicidade por detrás da tua nuca,


nem carícias, nem sóis e borboletas.


Sou apenas um planeta com o coração a deriva.




Marisete Zanon  - In Confissionarium Book - Livro II

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O mesmo fluxo

                                                                                                 Imagem do Google


já troquei todos os meus vestidos
mudei os anéis, os brincos
e calcei vários sapatos
tentei mudar de emoções...
de sentimentos
escrever outros poemas
mas tu és as pílulas
que tenho que engolir
todas as noites
porém tu deslizas fácil
pelo meu corpo
embriagada entrego-me
mais uma vez a ti
em pensamentos erotizados
e contudo nem lembras de mim
na calçada sou apenas a garota que passou
enquanto o teu perfume está na minha cama
e eu continuo presa a ti
pra sempre

Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Rotina

                                                             Imagem do Google - Desconheço o autor da obra



a rotina ronda...

é uma sombra

que sonda

que assombra

e irrita!


Marisete Zanon - In Um olhar de confissões - Livro I


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Eterno assassino

                                                                                         Imagem do Google


De que tamanho é o tempo?

Esse eterno e velho assassino invisível

que me flagra passando por ele

e ele passando por mim...

E a cada segundo passado

é a minha vida que ele mata

e vai martelando

Fim, fim, fim...



Marisete Zanon – In Um cordão de confissões Book I