quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Adiando a despedida...

                                  Vino Morais - artista plástico e apreciador de poesias



Ninguém secou minhas lágrimas
ninguém ouviu minhas palavras de tristeza
ninguém me viu sofrer
e ninguém sentiu minha dor
ninguém me viu olhando tuas fotos por horas
e ninguém me viu te acariciar o rosto com o mouse
ninguém me viu atravessar o oceano para receber
aquele beijo que tu me prometeu quando nos abraçássemos

ninguém secou minhas lágrimas
porque não chorei
ninguém ouviu minhas palavras de tristeza
porque não fiquei triste e sim chocada
ninguém me viu sofrer
porque eu tentei me enganar que tudo ficaria bem
e ninguém sentiu minha dor
porque eu estava anestesiada
ninguém me viu olhando tuas fotos por horas
porque eu não tinha coragem de te encarar
e ninguém me viu te acariciar o rosto com o mouse
porque minha mão não acariciava teu rosto com medo de te reviver
ninguém me viu atravessar o oceano
para receber aquele beijo que tu prometeu
quando nos abraçássemos
porque tu partiu antes mesmo que eu pudesse chegar...
E só hoje que eu pude chorar a tua morte.
E agora, meu amor, olhando a foto que me mandou é que
o acaricio e até parece que teus olhos é que choram por mim...

para Vino Morais, o amor da minha vida, o homem que entendia a minha arte de poemar.


Marisete Zanon

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Êxodo

                                        imagem do Google



Rotos pelos muitos caminhos
diversos de condições atmosféricas
múltiplos de carências
de dúvidas sobre o futuro
o além que não se sabe se vem
extraviados dos sonhos
de olheiras nos olhares sombrios
expurgados do mundo
onde não cabem em canto algum
Rotos de pés descalços
onde as feridas sangram
no coração de uma voz rouca
sem emoção
Rotos sem guarida e sem pátria
sem pátria amada salve salve
por onde seguem tem que haver
um caminho em meio as pedras
força com a fome gritando
e as costas se lhes voltando
a cara que bate implorando
um pedaço de pão
e uma pedra para o descanso.



Marisete Zanon

Monarca

                                                imagem do Google

[ Homenagem a Carmem Parra]



Oh! Como vais tão linda pincelando cores pelo ar com o teu bater de asas!

Teu próprio nome já desfila realeza

És pura beleza e do casulo na serralha já encontras defesa

Voa pelas Américas linda Monarca

Desenha nos ares o teu destino de borboleta!



Marisete Zanon

domingo, 27 de janeiro de 2013

Imortal II

                                                         




Lavou os cabelos

com cuidado

passou perfume

adocicado

vestiu o vestido

preto plissado

calçou os sapatos

preto perolado

cortou os pulsos

canivete afiado

e no céu azulado

usou asas

com cicatrizes

para sempre.



Marisete Zanon
       

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Inspirada em mim mesma

                                    Esculpture by Rabarana




das noites insones

vertente angustiante

nódoa de mágoas

não sobra um espaço

num instante

para um passo

até o interruptor.


Marisete Zanon

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Pensamento

                                      imagem da web




é quando a madrugada vem

que tu chegas colhendo perfumes

de outras brisas em outras paragens

lembranças sutis encantando

com laços o meu presente.

Sem ti não renasço,

não atuam as cenas que vivem

guardadas na memória quase dispersa.

É como o mar que joga suas reminiscências

de volta a areia da praia

envolvendo os finos grãos de absoluta certeza

que o pensar me faz existir a cada segundo

dessa vida de quem acumula lembrança.


Marisete Zanon

sábado, 19 de janeiro de 2013

Estado de espírito

                                      fotografia Marisete zanon




Hoje eu queria

poder dizer

que estou

com aquele

tal estado

de espírito

que nem o

Diabo pode,

mas na verdade

estou num estado

de precariedade

provinciana.



Marisete zanon

domingo, 13 de janeiro de 2013

Curiosidade mata

                                                      Brooke Shaden



Ela imaginava como seria o homem do outro lado.

Ouvia as suas palavras

imaginava o brilho ou a opacidade de seus olhos

tentava sentir a maciez do seu cabelo

tocar seu rosto e sentir a aspereza da barba por fazer

beijar sua boca de lábios grandes

seriam macios como marshmallows?

E seu corpo? Viril ou franzino?

Com tantas indagações

vagares impossíveis

e impossíveis possibilidades

decidiu atravessar a nado

a tela do computador

e morreu afogada.



Marisete Zanon

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

No limiar do tempo

                                             imagem da web




O tempo chega e vai levando algumas coisas,

trazendo-nos outras

e parece que a areia da ampulheta

se torna mais fina

e flui mais rapidamente

talvez o nosso corpo cansado

e frágil vai ficando distraído

perdemo-nos em alguns lugares

e nos sobra a fria solidão

mas nos aconchegamos

nos casacos das lembranças

e a esperança vem nos cobrir

com seu manto de estrelas

onde aguardamos a hora

de seguirmos para outra estrada

cheia de aventuras e delícias.


Marisete Zanon

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Calmaria

                                     imagem da web



                                       O silêncio adentrou por entre meus poros, minha carne
e afaga docemente minha alma
ele é doce, suave
e dá-me ânimo depois do último grito barulhento
e eu descanso em paz
nessa silenciosa e deliciosa paz
sem taquicardia exacerbada de ansiedades e esperas rotas.

Marisete Zanon