quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Calmaria

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                                       O silêncio adentrou por entre meus poros, minha carne
e afaga docemente minha alma
ele é doce, suave
e dá-me ânimo depois do último grito barulhento
e eu descanso em paz
nessa silenciosa e deliciosa paz
sem taquicardia exacerbada de ansiedades e esperas rotas.

Marisete Zanon

sábado, 22 de dezembro de 2012

Boas Festas

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A todos os meus colegas blogueiros e leitores, desejo a cada um conforme sua crença,
que nessa época e em todas as épocas que haja PAZ, SAÚDE, HARMONIA, AMOR, COMPREENSÃO, SINCERIDADE e acima de tudo FÉ. Eu creio em JESUS CRISTO como meu ÚNICO SALVADOR e é somente por isso que comemoro o Natal, mas respeito a crença de cada um.
Então, que a PAZ esteja conosco e em 2013 continuemos nossos planos e possamos ser melhores do que fomos até agora.

  Minha alegria tê-los comigo e espero continuarmos juntos escrevendo muita poesia e tocando o coração das pessoas, incentivando os que começam e mostrando que a poesia é um mover de espírito de amor, de sacrifício e paciência. Ser poeta é viver apaixonado por alguma coisa.

Beijos a todos!

Marisete Zanon



  



painting by Onri Koreshi

 


Dúvidas


A vontade do prazer é uma espada

cravada na ansiedade que o meu peito carrega

e o anjo desce dos céus

erguendo-me a cada vez que morro.

A cada vez que renasço

acendo um cigarro que queima

pouco a pouco a esperança.

Quando o absoluto torna-se vulnerável

os demônios do desejo

enlouquecem as dúvidas.

O certo e o errado.

O bem e o mal.

O côncavo e o convexo.

O querer e o não querer.

Nesses assombrosos itinerários da incerteza

não tem anjo e nem demônio

que me entenda.


Marisete Zanon

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Não sou um relicário

                                   By Minon-Minon




Nasci assim reticente
sem entender muito bem as coisas
sou distraída para fazer planos
e quando os faço são como eu
inconstantes...
sou triste por natureza
carrego perguntas embrulhadas
não as faço com medo da revelação
não sou um gênio
não sou intelectual
não me presenteou a sorte com beleza
não sou dona de riquezas
coube a mim um destino épico
o passado deixa saudades de coisas que não fiz
o tempo passou e perdi coisas que não queria perder
por medo, ou covardia
minha memória é um caos
das boas lembranças me restaram poucas
brinco com elas enquanto as tenho
se adiantasse guardá-las em um bauzinho
e amarrá-lo com fita de cetim eu o faria
pessoas sempre ou me irritam, ou chateiam
muito poucas me atraem
sou estranha, ensimesmada a ponto de me perder em mim mesma
sem paciência, quero pronto dois e ao mesmo tempo
escolhi a arte para morrer de fome e encantamento
e a poesia para me confortar com a dor
enfim, não sou um relicário.

Marisete Zanon- Todos os direitos reservados a autora- In Um Cordão de confissões

domingo, 16 de dezembro de 2012

Uma pausa que aplauda

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desliguei-me do mundo

sou órfã por opção

urge o desejo de reconhecer-me

o único som que ouço

e que inspira-me

é a batida ritmada

do tambor do meu

coração, bate e esguicha...

posso ser a fera que quer guerra

a Mariana bacana

a Sofia sacana

tudo vai de quem me atiça

tudo depende do que espero

necessito conhecer-me

não sei o tempo do bolero

só preciso ouvir a música

que o meu coração toca

por enquanto...

quando amor[teço].


Marisete Zanon

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sofia - O início

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Sofia. Eu amo Sofia. Sempre que surge a minha vida muda. Muda e então é só ela que vive em mim e eu fico muda. É ordinária, lasciva e linda. Sofia é linda. Trai seus sentimentos por mim e é linda. A criatura mais linda que já conheci neste mundo. Quando ela surge, eu fico diminuída. Viro miniatura de mulher e de sonhos. Todos meus sonhos são ilusões concretas perto dos sonhos de Sofia. Sofia nem sonha, ela acontece em todos os momentos que surge. Seus cabelos negros me fascinam. Eu morro pra tocar em seus cabelos macios, finos e longos quando ela os arruma. Mas ela me trai. Sofia me trai. A invejo nos seus movimentos, no seu caminhar, no seu arrastar e deslizar sobre os lençóis. A invejo por mendigar um pedaço de carne humana pra satisfazê-la. Sofia não se importa em se humilhar quando quer fazer sexo e não se importa em onde fazer. Eu me reviro por dentro de ciúmes de Sofia. Ela é cruel comigo. Quando vai embora me deixa derrotada. Sofia faz sexo com luxúria. Ela é a própria luxúria. Sofia se entrega de corpo e alma e meu coração dói. Meu coração fica dilacerado por essa meretriz. Ela se deita com quem deseja. Deita e fica em outras posições também. É uma vagabunda. Sofia é uma vagabunda! Maldita vagabunda! Eu amo quando ela põe seu traseiro na mira, eu lubrifico, eu encharco toda. Quando Sofia chega, separo as lingeries que ela gosta de usar. Separo os sapatos de Sofia e as suas roupas. Sinto-me humilhada por Sofia. Ela sempre leva a melhor sobre mim. Não me importo. Eu sou sua serva e eu amo Sofia. Maldita seja Sofia! Escarnece de mim e eu continuo a servi-la! Observo quando se deita com alguém, despudorada, serve de banquete nas mãos de quem ela também deseja. Sofia se abre toda, melada, lambuzada de sêmen e abate a sua presa sem pressa nenhuma. Eu que
cuido dos prazeres de Sofia, cuido do corpo de Sofia, do sorriso de Sofia, das lágrimas de Sofia. Principalmente das lágrimas de Sofia, porque sou eu quem as choro e fico vazia quando vai embora.

Marisete Zanon

domingo, 9 de dezembro de 2012

Expatriada

                                                               Fotografia Helmut Newton




 Nada do que tinha era seu

nem mesmo os sentimentos,

estes, apanhava nas vagas de aluguel

o desejo sempre à flor das pernas

bebia seus orgasmos como quem

experimenta uma dose de cocaína

pela primeira vez

e depois dormia sobre algum

peito de avelãs



Marisete Zanon

sábado, 8 de dezembro de 2012

Eu amo...

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                                                          Ah! Eu amo, como eu amo...!

Infinitamente amo

Infinitamente amarei

o amor que amo...


Marisete Zanon

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A falta que há

                                                                fotografia Brendan Zhang



tinha ganas de encontrar
percorrer trilhas
agarrar mundos
entre indecisões
e bofetões
acordar
acordar viva
desaguar em algum mar
chorando prantos
de algumas vidas
resfolegando
engasgada
de tantas mágoas
malvadas
enlatadas
comprimidas
amordaçadas
corria e percorria
nas vias e nas estradas
procurava...
a parte
que faltava
[se era dela
não sabia]
e nem desconfiava
só sabia que procurava
andava
controlava
espreitava
sem espanto
o pranto
de outros tantos
que não tinham nada
difícil subtrair lembranças
a vida ali em andanças
mudanças de planos e voos
passarinho sem olho
dilacerada que ia
E ia...subia...
tateava
e não encontrava
a falta
que persistia
e existia
no nada.

Marisete Zanon

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Apenas ensaio

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Te procurei ao entardecer dos outonos
de folhas amareladas,
te busquei nas calçadas geladas
desses invernos tempestuosos
onde nem mesmo os ventos são capazes
de levar minhas lembranças
e a saudade do teu corpo no meu.
Caminhei pelas ruas buscando teu rosto
teu corpo, teu olhar, ansiando te encontrar...
meus pés congelados e cansados
perdiam teus rastros
aqueci-me em volta da lareira
olhando as labaredas desenharem teu semblante.
Te procurei nas páginas de alguns romances,
nos versos dos poetas,
nas noites agitadas de sonhos induzidos.
Te procurei nos meus anseios,
no meio das minhas coxas úmidas
do meu quadril arquejante
e respiração ofegante
no meu delírio não era mais eu
que me tocava e sim tu,
com teus sussurros a descer em meu corpo
como num calor de verão intenso.
Teu corpo é o meu pecado original
e parece que as vezes desfaleço
e tudo o que sinto é um arrastar
de pernas, um descaso com o meu amor...
Porque de todos os amores perdidos
sempre ficam pedaços costurados
em algum lugar no coração
e quando percebo o horizonte distante
compreendo que sempre,
sempre tem um dia que chega
a primavera...


Marisete Zanon

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Complicada

                                                    Toon Hertz




Por que tem que doer tanto?

Será que cheguei no lugar errado,

no tempo errado e na hora errada?

Que pareça banal, clichê...

Mas dor é dor

e sou eu que sinto

Nas minhas conjecturas

deve ser melancolia

misturada com leite

eis a razão da desordem

emocional, atemporal

e litúrgica.




Marisete Zanon