sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O meu silêncio




o meu silêncio é um silêncio

construído com esforço resignado

alicerce da solidão

paredes da quietude

acomodadas

plácidas

de um ínfimo suspiro


Marisete Zanon

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desestruturação

                           Xilogravura - Marisete Zanon




não procure me entender

porque sou meio cinzas e folhas secas

uma picada abandonada no meio da mata

minha alma de limo resvala

pelas veredas insanas da sintaxe

e se perde ainda mais


não procure me entender

porque às vezes meus pés

ficam perdidos nos armários

e os sentimentos como sempre

nebulosos e confusos

escorrem pelo ralo da pia

não tenho poder no falar

sou verborrágica

e fibro miálgica

e meu corpo vai por aí

procurando mais

partes de reticências ilógicas



Marisete Zanon

sábado, 24 de novembro de 2012

Brotos & Fugas

                                            Fotografia de minha autoria



Brotos & Fugas


Ela tinha apenas um tudo no olhar

e uma fuga rápida de si

sonhos brotavam das mãos

e compunha paisagens ao falar

escondia-se nas memórias atrás dos olhos.


Marisete Zanon

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Um inefável poema

imagem da web




Rompi todas as linhas tênues

vesti aquele meu vestido branco

ultrapassei os limites da lua cheia.

Quero provar do miolo da maçã

que rege a minha inefável sina

enquanto as múmias desfilam hipocrisia.

Me adornar com anéis de saturno,

rubis, esmeraldas e safiras.

Dançar em Marte e cavalgar

na Via Láctea.

E finalmente acordar no colo

despido de quem me despia...


Marisete Zanon

sábado, 17 de novembro de 2012

Antagônico

        imagem da internet





Hoje o almoço atrasou

as panelas cozinhavam

em fogo alto,

mas os sentimentos

foram servidos crus.



Marisete Zanon

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Bem assim...

                                                       imagem da internet




Um ar novo invadiu aquele quarto

se espreguiça, alonga

faz a maquiagem

arruma os cabelos

faz pose

calça os sapatos

apanha a bolsa

e sai ao encontro

do tudo novo

da liberdade

o inesperado

traz esperança



Marisete Zanon