sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Personagens poéticas




 a escrita me dilui em palavras,
me entrego demais, amo demais,
sinto demais, possuo demais,
mas também odeio demais,
confesso demais
essa entrega sem censura,
porque não há censura
na intimidade com as palavras
me deixa exposta,
uma ferida aberta
pago um preço alto
por cada palavra escrita.
essa minha psicopatia
e as personagens que me compõem
e as dualidades que carrego
com dores consecutivas de parto
e dores de eventuais abortos
tem cenas de Rimbaud
e Gabriel G. Marquez
me sinto um ser acabrunhado
nesse mundo.
não me importo,
não vivo nesse mundo,
porque deixo que a poesia
me leve daqui e me invente.


Marisete Zanon - In Confissionarium Book - Todos os direitos reservados a autora  

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