domingo, 5 de julho de 2015

Abandono




Abandono – Poema inspirado em Edgar Allan Poe

A casa doente escorria seus dilemas
pelos telhados.
Nos alicerces,
quase sangue coagulado.
Numa parede desnuda
uma rede tonta chorava.
Tijolos vertiam pruridos.
Janelas pálidas e
pupilas sem vida secavam.
Nos cômodos agonizantes
portas internas gritavam com dor.
Os quartos com hipotermia
Congelavam almas
e a porta principal despedia
seu anfitrião sem piedade
ao abandono,
à sorte dos corvos...

Marisete Zanon