segunda-feira, 13 de abril de 2015

Amigos podem ir além dos que cabem na minha mão


                                                                   


Como eu queria que tudo fosse consideravelmente diferente, que as pessoas fossem diferentes da mesmice, que fossem sinceras, que fossem honestas e levassem em conta o sentimento dos outros, sem preconceitos e discriminações sociais, raciais, ou de gênero. Eu queria ser diferente e não levar as pessoas tão a sério, não me envolver dessa maneira tão intensa com as pessoas que até parece mania. Prefiro aquelas pessoas que vão chegando e de uma palavra dita abre o seu vocabulário e coloca pra fora suas ideias, sua vida e seus desejos. Sinto-me em casa com pessoas assim, sem frescuras, sem ter que desviar de ovos. Gosto de gente com sorriso franco, mesmo que não tenha dentes, mas que seja verdadeiro. Gente que tem a inocência no olhar. Gente que é gente. Gente que ouve e gente que fala a verdade, sem medo. Gente que prospera com os outros, que ajuda, mas o que somos é diferente de tudo isso. Mas o que vemos é diferente de tudo isso. É um passar de perna no outro, puxar o tapete do outro, mentir para o outro e invejar o outro. Iludi-me tanto, me machuquei tanto e machuquei tantos outros, que chegou uma hora que ficou difícil distinguir quem era bom ou mau... Então hoje eu escolho quem me escolhe de peito aberto, quem tem culhões e quem usa calcinha para serem meus amigos e decido quem fica. Não puxo o saco de mais ninguém. Assim que vai ser.

Marisete Zanon
Lê, escreve e faz artes

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