sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Não sou um relicário




Não sou um relicário...
Nasci assim reticente

sem entender muito bem as coisas.
Sou distraída para fazer planos
e quando os faço são como eu,
inconstantes...

sou triste por natureza,
mas isso não quer dizer que sou infeliz.
Vivo as alegrias quando as quero viver.
Carrego algumas perguntas embrulhadas,
não as faço com medo da revelação.
Não sou um gênio, não sou intelectual,
não me presenteou a sorte com beleza
não sou dona de riquezas.

Coube a mim um destino épico.
O passado deixa saudades de coisas que não fiz e
o tempo passou e perdi coisas que não queria perder
por medo, ou covardia.

Minha memória é um caos.
Das boas lembranças me restaram poucas,
brinco com elas enquanto as tenho e
se adiantasse guardá-las num bauzinho
e amarrá-lo com fita de cetim eu o faria.
Pessoas sempre, ou me irritam, ou chateiam,
 poucas me atraem,
muitas até pensam que me fazem de boba,
mas bobas são elas que pensam.

Sou sensível e sensitiva
Para alguns sou frágil,
Mas sou um leão
Não tenho sorte no amor, mas amo
e isso pra mim já é o bastante.
.
Sou estranha, ensimesmada a ponto de perder-me em mim mesma,
sem paciência, quero pronto dois e ao mesmo tempo.
Escolhi a arte para morrer de fome e encantamento
e a poesia para me confortar com a dor.
Enfim, não sou um relicário.



Marisete Zanon  -  In Confissionarium Book Livro II