Um dia desses, uma menina de doze anos me perguntou como fazia
poesias. Olhei bem pro rostinho dela e fiquei pensando como iria responder a
sua pergunta de uma maneira que pudesse me entender. Bem, perguntei-lhe: gosta
de teatro? Ela bem ligeiro respondeu que sim e então fiz outra pergunta: gosta
de música? Afirmou com a cabeça olhando-me curiosa. Fiz-lhe a terceira
pergunta: gosta de dança? Prontamente balançou a cabeça que sim. Imaginei o que
ela deveria estar pensando, pois só lhe havia feito perguntas e não respondi-lhe coisa alguma, mas precisei conter a minha ansiedade juntamente com a dela e falei: a
poesia surge quando interpreto sentimentos ou situações dos mais variados tipos
e deixo que cada um mostre o seu som específico para depois deixar que dancem
um pouco na minha mente (enquanto falava, gesticulava, fazia encenações com
minhas mãos a fim de fazer-me entender pela pequena que prestava atenção com os
olhos e ouvidos bem atentos) e por fim ainda tem o tato, que permite saber como
tocar a pele do poema; com leveza, ou com toques mais apertados. Tomei sua mão
e toquei de leve com o polegar a sua palma por alguns segundos, com seus
olhinhos em mim. Então é assim que você faz poemas? Toca as pessoas? Não pude
evitar a lágrima que escorreu do meu olho.
A poesia tem mesmo que tocar as pessoas.
ResponderExcluirDe contrário, os poemas são amontoados de palavras.
Excelente texto, gostei imenso.
Bom resto de semana, querida amiga Marisete.
Beijo.