quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Como fazer poemas




Um dia desses, uma menina de doze anos me perguntou como fazia poesias. Olhei bem pro rostinho dela e fiquei pensando como iria responder a sua pergunta de uma maneira que pudesse me entender. Bem, perguntei-lhe: gosta de teatro? Ela bem ligeiro respondeu que sim e então fiz outra pergunta: gosta de música? Afirmou com a cabeça olhando-me curiosa. Fiz-lhe a terceira pergunta: gosta de dança? Prontamente balançou a cabeça que sim. Imaginei o que ela deveria estar pensando, pois só lhe havia feito perguntas e não respondi-lhe coisa alguma, mas precisei conter a minha ansiedade juntamente com a dela e falei: a poesia surge quando interpreto sentimentos ou situações dos mais variados tipos e deixo que cada um mostre o seu som específico para depois deixar que dancem um pouco na minha mente (enquanto falava, gesticulava, fazia encenações com minhas mãos a fim de fazer-me entender pela pequena que prestava atenção com os olhos e ouvidos bem atentos) e por fim ainda tem o tato, que permite saber como tocar a pele do poema; com leveza, ou com toques mais apertados. Tomei sua mão e toquei de leve com o polegar a sua palma por alguns segundos, com seus olhinhos em mim. Então é assim que você faz poemas? Toca as pessoas? Não pude evitar a lágrima que escorreu do meu olho.


Marisete Zanon  - Todos os direitos reservados à autora.

Um comentário:

  1. A poesia tem mesmo que tocar as pessoas.
    De contrário, os poemas são amontoados de palavras.
    Excelente texto, gostei imenso.
    Bom resto de semana, querida amiga Marisete.
    Beijo.

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