sábado, 13 de dezembro de 2014

Nossas cruzes

imagem do Google


Pela porta do olhar contempla ao redor

gravetos, ossos, cruzes espalhadas

e roupas rasgadas num varal

a escuridão se estende até onde o olhar alcança

a casa de tábuas e frestas abandonada

plugada ao inferno, conectada a terra árida

transformada em poeira cinza esverdeada

do esquecimento marginal, perdida de si mesma

com um abismo a provocar-lhe os pés

num lugar lúgubre de onde os desejos

e sentimentos envelhecidos se perderam...

e onde procurá-los de volta?

não sabia, talvez em algum coração

enterrado debaixo de alguma daquelas cruzes

sem nenhum significado pungente,

já incapaz de perceber

que o tempo era morto

pendurado num pêndulo

imóvel no galho

de uma árvore

seca.


Marisete  Zanon - In Confissionarium Book Livro II

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