domingo, 4 de maio de 2014

Impregnada

                                                                                                Fotografia do Google

Tá tudo tão impregnado de mim
e é tudo tão óbvio.
Meu celular grita meu nome.
Meus papéis mastigam minhas letras que escrevo à lápis.
As brevidades do café da manhã têm o meu gosto.
Minhas roupas no armário identificam meu humor.
Meu cabideiro cego, surdo e escravo, suporta o meu cansaço.
Meu perfume é táctil, ele que tem o meu cheiro e pareço eu a estar dentro do frasco.
Minha casa identifica o incenso da minha alma.
E meus sapatos...
Ah! Os meus sapatos sabem por onde quero ir...


Marisete Zanon -  In Um Cordão de Confissões (primeiro livro)