terça-feira, 25 de março de 2014

Não me decifres

                                                                                             Fotografia  -  Marisete Zanon


Não existe uma palavra sozinha
que me defina
não há uma fotografia
que retrate o meu eu
sou vidro e como tal,
transparente e frágil
a qualquer momento me parto
e quem me junta os cacos?
Não há diagnóstico
que identifique
qual a ferida que sangra
não há música pra esse corpo
que já dança com as lembranças
não há pintura
que pinte o que sente
os meus olhos
pois sou vidro
vidro quebrado
sou pó de vidro que se espalha
quando o vento sopra
ninguém vai me decifrar

porque nem está no meu dna

Marisete Zanon - In Confissionarium Book - pág. 115