terça-feira, 18 de março de 2014

Joana e Sofia de quatro

                                                                                Fotografia - Fabio Constantino Macis


Joana amanhecia com os cabelos desgrenhados
e mal acordava já ia com cesto de roupas e lixo
começar sua rotina feito mula, de quatro.
Sofia amanhecia com cabelos em desalinho
e perfumados. Se espreguiçava na janela,
lembrando da noite em que ficara de quatro.
Joana preparava o almoço.
Sofia sonhava com os moços.
Joana limpava os armários, esfregava o chão de quatro.
Sofia deitava no divã do analista e até ficava de quatro.
Joana gemia de dores nas costas.
Sofia gemia de prazeres de costas.
Joana vestia roupas surradas.
Sofia esbanjava nos shoppings.
Joana limpava paredes e lavava a louça.
Sofia deitava na banheira e (que ninguém a ouça) vibrava.
Joana passava cera, tirava o pó e limpava o banheiro.
Sofia assistia Oprah, filmes e sempre tinha dinheiro.
Joana aguentava reclamação e não podia reclamar.
Sofia reclamava e cada vez queria mais.
Joana desarrumada, de quatro no chão não valia nada.
Sofia sem roupa, de quatro em qualquer lugar valia muito.
Nos dias mais lights de Joana quando tinha folga da casa
se vestia pra arrebentar a banca e então Sofia chegava.


Marisete Zanon   - Todos os direitos reservados a autora