quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Operário


Me chamava de vagabunda. Todo dia vinha no meu barraco e me fodia. Dizia que eu era pobre, mas limpinha e gostosa, a melhor que já tinha comido. Eu falava que não era vagabunda, que só lavava roupa pros peões da obra e ele cismava em jogar na minha cara o dia que me viu encostada no muro com o operário com as barbas enfiadas no meio das minhas pernas. É vagabunda sim, dá pra esses operários todos os dias se eu não vier te foder, sua puta. Então eu dava na cara dele e ele dava de volta na minha e me empurrava, me virando de costas, segurando minha nuca apertada, arrancando minha calcinha e erguendo meu vestido metendo com força me fazendo gozar duas, três vezes igual doida. Ele urrava gozando, parecia um macaco, mas eu gostava. Vinha todo santo dia, até nos fins de semana. Quando via, ele já estava encostando o carrão importado na frente da porta do barraco. Cansou de falar o nome do carro e eu nunca aprendi. No começo era sempre a mesma história: vagabunda, o barbudo, o calvo, tapa pra lá e pra cá e duas, três gozadas e ele urrando. Do dia pra noite ele sumiu, o homem evaporou e nem sabe que estou embuchada quase parindo o filho dele que vai se chamar Operário, porque eu achava tão bonito quando ele falava isso.

Marisete Zanon