segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Semimorta

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Aproximava-se dos longínquos anos de experiências vivas, fortes, doloridas e poucas alegrias. Lembrava-se de guardar as lembranças nessa vaga esperança que o tempo permitia. Ao menos isso.
Levava flores aos seus mortos todos os dias por um caminho que pensava estar certo e fácil, mas o fácil era um erro medíocre, desses que seduz com voz de seda e em seguida atira-nos no esgôto. Mortos sem sepulturas que vagavam pelas ruas e becos. Mortos cobertos de palavras gentis e enganadoras promessas. A vida não fora pintada em cores suaves, El Grego seria o mais adequado pintor dessa obra ainda não concluída, mas que muitas vezes implorava que fosse breve, muito breve. Quantas vezes era iscada pensando nas paixões que se frustraram, nos sonhos que não se haviam realizado e no que ainda restava a fazer sem vontade e sem ânimo. Fantasmas e monstros sempre a acompanharam, disso não tinha medo, apenas os respeitava, temia mesmo os mortos que falavam. Talvez uma recompensa ainda pudesse salvá-la dessa falível vida de semimorta; um arco-íris, ou um par de asas.



Marisete Zanon