sexta-feira, 26 de abril de 2013

Não vou me privar do futuro

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...que depois de tudo,
não quero ser um barco sem vela
nem a escuridão sem luz
não quero ser uma sombra sozinha
uma garrafa vazia
momentos sem ação
palavras desconexas
uma cidade vazia
uma praia deserta
um corpo jogado
sem expectativas
foram tantas promessas
tanto brilho no olhar
mais enganador que eu já vi
tanta paixão sem calor
levastes o meu chão
e a porta se fechou num tiro
o rádio não fala mais teu nome
e o meu criado mudo
assistiu tudo de boca aberta
ainda sei de cor os teus olhos
posso desenhá-los só de lembrar
e de que adianta?
Já nos perdemos na vastidão
dos insultos
só me resta curar as feridas
ainda expostas
mas ainda tenho os meus segredos
para limpar-me de toda essa droga


Marisete Zanon