segunda-feira, 15 de abril de 2013

Não sou um relicário



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Não sou um relicário...
Nasci assim reticente
sem entender muito bem as coisas.
Sou distraída para fazer planos
e quando os faço são como eu,
inconstantes...
sou triste por natureza,
mas isso não quer dizer que sou infeliz.
Vivo as alegrias quando quero viver.
Carrego algumas perguntas embrulhadas,
não as faço com medo da revelação.
Não sou um gênio, não sou intelectual,
não me presenteou a sorte com beleza
não sou dona de riquezas.
Coube a mim um destino épico.
O passado deixa saudades de coisas que não fiz e
o tempo passou e perdi coisas que não queria perder
por medo, ou covardia.
Minha memória é um caos.
Das boas lembranças me restaram poucas,
brinco com elas enquanto as tenho e
se adiantasse guardá-las num bauzinho
e amarrá-lo com fita de cetim eu o faria.
Pessoas sempre, ou me irritam, ou chateiam,
muito poucas me atraem,
muitas até pensam que me fazem de boba,
mas bobas são as que pensam.
Sou sensível e sensitiva
e alguns até acham que sou frágil,
que precisam me dizer como resolver os meus assuntos...
penso que cada um tenha sabedoria para cuidar dos seus.
Não tenho sorte no amor, mas amo e isso pra mim já é o bastante,
que aqueles que me amam pensem da mesma maneira que eu.
Sou estranha, ensimesmada a ponto de perder-me em mim mesma,
sem paciência, quero pronto dois e ao mesmo tempo.
Escolhi a arte para morrer de fome e encantamento
e a poesia para me confortar com a dor.
Enfim, não sou um relicário.


Marisete Zanon