domingo, 31 de março de 2013

Saudade da gente

            imagem do Google



Pela manhã quando acordei a cama já estava vazia. Sempre acordo contigo, as vezes um pouco mais tarde e então lembrei que precisavas levantar cedo para viajar. Desculpe por esquecer desse detalhe, mas tu me conhece tão bem e sabes que minha memória me trai muitas vezes e queria que estivesses comigo para te contar o sonho que tive a noite, como sempre conto. O sonho dessa noite não tinha nada a ver com a nossa realidade atual. Eram pessoas em carroças antigas num êxodo tão triste que me lembrou a pintura " Os Retirantes" de Portinari. Um bebê que só chorava no meu colo e tu preocupado se as pessoas que passavam nas carroças fossem nos pedir pousada. Mais um daqueles meus sonhos que não entendo e que me deixam confusa, mas hoje tu não estavas comigo para me balançar com cuidado apenas para que eu acordasse e me desse conta do pranto em que me encontrava e amanheci no travesseiro ensopado acordando com as lágrimas ainda quentes escorrendo pelo rosto.
O que anda acontecendo ultimamente comigo é uma saudade da gente. Lembro dos tempos em que saíamos quase todas as noites para dançar, de como as moças morriam de inveja de mim por ter capturado o jovem mais bonito e bem sucedido daquela região. Dos banhos de cachoeira, das pescarias, dos porres nas festas das agrovilas, das transas no meio do mato em plena madrugada dentro de uma F-4000, ouvindo aquele pássaro que nos acordava tão logo a primeira réstia de sol surgisse por entre as árvores. Como é mesmo o nome daquele pássaro que assovia e parece um moço elogiando uma prenda quando passa? No Mato Grosso tem muito, mas eu não recordo do seu nome agora.
Ficou tudo tão diferente... Mas o teu cuidado silencioso comigo não mudou nada. A tua preocupação silenciosa comigo não mudou nada. Teus mimos, teu prazer em satisfazer todos os meus caprichos ainda deixa as pessoas admiradas. Aprendi a entender o teu silêncio, embora ele ainda me irrite um pouco e eu tenha vontade de te dar com uma panela na cabeça, mas agora eu entendo. Já pensou se tu falasses tanto quanto eu falo? Como seria? Até Deus taparia os ouvidos!
O que deve ser levado em conta são as lições que aprendi vivendo contigo e se tem algo em mim que ainda protesta e não quer entender, tenho certeza que está perto do fim.
Volta logo, porque o almoço já vai ser uma tristeza de tanta solidão...


Marisete Zanon - Todos os direitos reservados a autora

5 comentários:

  1. Quem escreve assim nunca está sozinha... os leitores não largam a sua escrita.
    :)
    Beijinhos!

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  2. Oi Marisete,pela manhã passei aqui e te li com aquela calma de quem toma um cafezinho rs,foi muito bom,cada palavra ingerida leva a gente ao mundo do que fomos ,e somos .Lindo seu texto parabéns,boa semana !

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  3. Olá Marisete,
    boa tarde,
    gostei muito de sua história,
    parecia uma manhã de domingo
    um pouco triste.

    beijos

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