sexta-feira, 29 de março de 2013

Personagens poéticas

                                                   Fotografia - Helmut Newton



A escrita me dilui em palavras,
me entrego demais, amo demais,
sinto demais, possuo demais,
mas também odeio demais,
confesso demais
essa entrega sem censura,
porque não há censura
na intimidade com as palavras
me deixa exposta,
uma ferida aberta
pago um preço alto
por cada palavra escrita.
Essa minha psicopatia
e as personagens que me compõem
e as dualidades que carrego
com dores consecutivas de parto
e dores de eventuais abortos
tem cenas de Rimbaud
e Gabriel G. Marquez
me sinto um ser acabrunhado
nesse mundo.
Não me importo,
não vivo nesse mundo
porque deixo que a poesia
me leve daqui e me invente.


Marisete Zanon

6 comentários:

  1. Há na entrega em versos uma pungência rara e intensa que nenhum leitor pode compreender.
    Há nestes versos um pedido, quase uma súplica, de deixar a autora respirar.
    Há no sentimento que deixam no peito algo profundo que não pode explicar-se...

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  2. Sempre deixar que a poesia nos embale em seus braços.

    Feliz Páscoa!

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  3. Tua poesia, Marisete, tem de tudo
    porque és muitas em uma só...

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  4. A foto é introspectiva. Me faz pensar na solidão que leva ao suicídio.

    Abraços do Conde.

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  5. Lendo com cuidado, o poema é a invenção, poema se faz com palavras buscadas e as palavras buscadas nem sempre são sinceras. E a foto, é foto mesmo? Contesto o Vlad, a foto me diz que a sarjeta é melhor que o precipício, ou seria o outro lado da mesma moeda. Ops, olha a minha interpretação subjetiva aparecendo aqui:))) Um abraço, Yayá.

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