sábado, 9 de março de 2013

Não me decifres

                                          Fotografia - Helmut Newton




não existe uma palavra sozinha
que me defina
não há uma fotografia
que retrate o meu eu
sou vidro e como tal,
transparente e frágil
a qualquer momento me parto
e quem me junta os cacos?
não há diagnóstico
que identifique
qual a ferida que sangra
não há música pra esse corpo
que já dança com as lembranças
não há pintura
que pinte o que sentem
os meus olhos
pois sou vidro
vidro quebrado
sou pó de vidro que se espalha
quando o vento sopra

ninguém vai me decifrar
porque nem está no meu DNA



Marisete Zanon

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