segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desestruturação

                           Xilogravura - Marisete Zanon




não procure me entender

porque sou meio cinzas e folhas secas

uma picada abandonada no meio da mata

minha alma de limo resvala

pelas veredas insanas da sintaxe

e se perde ainda mais


não procure me entender

porque às vezes meus pés

ficam perdidos nos armários

e os sentimentos como sempre

nebulosos e confusos

escorrem pelo ralo da pia

não tenho poder no falar

sou verborrágica

e fibro miálgica

e meu corpo vai por aí

procurando mais

partes de reticências ilógicas



Marisete Zanon

8 comentários:

  1. Linda imagem! Assim caminhamos todos, creio eu, escorrendo sentimentos e tentando montar um belo tabuleiro com as nossas pedras. Bjs.

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  2. isso é poesia que vale a pena ler: afiada, ácida, forte, contundente, visceral.

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  3. Não é preciso entender, apenas apreciar a beleza deste poema.
    Beijos,
    Élys.

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  4. Poesia: Sentimento, emoção, conhecimento, viagens da mente e do coração...poesia, simples como a complexidade da natureza, emanando vida e mistério.

    Nosso novo blog, com músicas de todas as gerações, visite-nos e seja nosso seguidor:

    http://dovinilaomp3.blogspot.com

    Com carinho

    Ghost e Bindi

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  5. Marisete, minha amiga!
    Gostei muito desse poema...
    (porque também, às vezes, meus pés ficam perdidos nos armários)

    Adorei a imagem! É simplesmente linda e transmite a emoção da poesia! Lindo demais!

    Um beijo carinhoso

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  6. Xilogravura & poema...
    Eu diria... Uma locura de viver!!!
    Parabéns MeNiNa
    besOSMen@

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  7. Ainda que não entendamos, precisamos de apoiar...

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  8. Belo desenho de leoa e leão...
    E belas palavras, Sea..

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